Nos dias de hoje, vivemos em meio a correria de nossas vidas, em busca de realizações, muitas vezes materiais, muitas vezes sentimentais, mas nos esquecemos geralmente da mais importante das conquistas que é a espiritual, pois em verdade, somos espíritos eternos que daqui desta terra levarão apenas os ensinamentos que conseguiram adquirir, e as sementes do bem que deixaram plantadas para germinarem nas mãos daqueles que os sucederão, ate seu retorno a este ou outro plano carnal.
Temos muitas vezes a oportunidade de descobrir o que ocorre em nossas vidas, onde jaz um sentido oculto sobre as dificuldades, os problemas as vezes sem solução, e muitas vezes apenas olhamos pros céus esperando que Deus olhe por nós e nos traga a resposta, ou a cura que tanto esperamos. mas Jesus deixou-nos claro, que cada um é senhor de sua consciência, é responsável por aquilo que cativará, e nos dias de hoje, sem buscar uma real instrução, o que somos nós? apenas barcos a deriva neste mundo de provas cada vez mais difíceis, e sozinhos nunca conseguiremos ancorar nossas vidas em um porto seguro.
Tenho ouvido muita incredulidade mediante aos ensinos espíritas, pois o mesmo tem se perdido em meio ao tempo, associado a tantas outras medidas espiritualistas, e assim perdido seu real foco, que jaz fora da curiosidade, fora da alegação de poderes, ou de domínio do circulo de vida que nos cerca, o espiritismo é a chave da revelação final que traz a cada um de nós a certeza do por que estamos aqui, responde as perguntas mais aclamadas e nos mostra em pratica o que é a real caridade esperada pelo nosso mestre, pois caridade é mais que a esmola ao faminto, é mais que o agasalho ao desabrigado, caridade esta na semeadura de sua inteligência, a caridade reside em esclarecer ao sofredor que ele achara a saída de seus problemas quando verificar sua causa, pois é dito que não há efeito sem causa, e todos nós somos simples vitimas de nossas próprias ignorâncias do passado. e com estudo serio e doutrinado, encontramos um meio de reparar as graves faltas, nos apaziguar mediante ao que parecem injustiças, e trazer a todos aqueles que necessitam um conforto na palavra amiga sincera e bem esclarecida.
Por isso temos aqui o inicio de um estudo coletivo, para trazer de volta a aqueles que perderam-se no turbilhão das emoções terrenas, um guia para todos nós nos encontrarmos mediante a grande espiritualidade superior, e instruirmos segundo o Espírito de verdade nos deixou confiado. Aqui juntos traremos a tona o estudo da doutrina espírita, buscando conhecer a fundo as principais obras, e fazer delas nosso guia maior, aprendendo, e sempre lembrando em nos mudar e utilizar cada ensinamento, cada exemplo de vida, sofrimento e vitoria, para nos melhorarmos, e encontrar a paz necessária para enfrentar as provas e tribulações, pois quando estiverem 2 ou mais reunidos em seu nome, lá estará o mestre junto a todos.
Amigos espíritas, instrução é o marco da mudança, sozinha é uma folha inútil, mas corroborada com a fé, a caridade, a humildade e a vontade maior de crescer, torna-se a maior conquista que qualquer um de nós encarnados levará desta Terra.
Que Jesus guie nossas metas e que juntos possamos crescer e trabalhar na seara do bem.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Oposição da Ciência Parte 4

1- O que mostra que o espiritismo é mais antigo do que sua divulgação por Kardec? Exemplifique.

Tanto a história sagrada quanto a profana provam a antiguidade e a universalidade dessa crença, que se perpetuou através de todas as vicissitudes por que tem passado o mundo, e se mostra, entre os mais selvagens povos, no estado de ideias inatas e intuitivas, e tão gravadas no pensamento como a do Ente supremo e a da existência futura.
O Espiritismo, pois, não é uma criação moderna; tudo prova que os antigos o conheciam tão bem, ou talvez melhor que nós; somente ele não era ensinado, senão com precauções misteriosas que o tornavam inacessível ao vulgo, abandonado de propósito no lamaçal da superstição.
Observe que desde as mais remotas civilizações, podemos ter ideias de que mesmo aqueles homens em estado ainda mais primitivo, tinham noção de um Deus Maior que a tudo regia, os Egípcios com seus Deuses e um Deus maior Ra, os Gregos com os Deuses do Olimpo, seguido dos romanos, ate a vinda de Jesus, quantos povos não passavam suas crenças na continuação da vida após o desencarne e que todos éramos regidos por um ser maior de suprema energia.


2- Qual as naturezas dos fatos das manifestações espirituais? exemplifique-os

Eles são de duas naturezas: uns espontâneos e outros provocados. Entre os primeiros estão as visões e as aparições, tão frequentes; os ruídos, barulhos e movimentações de objetos, sem causa material, e grande número de efeitos insólitos que olhávamos como sobrenaturais e hoje nos parecem simples, porque não admitimos o sobrenatural, visto como tudo se submete às leis imutáveis da natureza. Os fatos provocados são os obtidos por intermédio de médiuns.

Temos assim, as Psicografias, aonde os médiuns recebem mecânica ou intuitivamente as mensagens do plano espiritual. 
Temos a Psicofonia, aonde os espíritos se utilizam da fala dos médiuns para passar suas mensagens, Temos as incorporações, aonde o espírito consegue passar ate mais detalhadamente suas impressões no plano espiritual.
Temos a Vidência, aonde um médium consegue enxergar os espíritos que estão em uma forma mais materializada e se mostram ao médium para passar alguma mensagem. e muitas outras formas que nossos irmãos espirituais usam em todos os tipos de comunicações.

Oposição da Ciência Parte 3

1- O que fez Kardec deixar de ser um incrédulo nas manifestações? 

Kardec, antes um incrédulo, resolveu estudar a fundo tudo do que se tratava as manifestações espirituais, ele tinha em mente que tudo que a Razão não repelisse, deveria ser estudado e aprofundado pra saber de fato quais as verdades por trás de tal assunto, assim, Kardec começou a frequentar as reuniões espíritas, a recolher as mensagens e anotar as manifestações, viu como as manifestações se davam iguais em varias partes do mundo e por pessoas que não possuíam nenhum conhecimento uma da outra.
Quando percebeu que por trás de todas as manifestações havia mesmo um principio inteligente, foi que colocou em pratica os estudos mais avançados, e assim, foi se convencendo e aprendendo com cada nova manifestação se tornando o principal divulgador, codificador e defensor da Doutrina.


2- Qual analogia Kardec usa para exemplificar a verdade do espiritismo ante a ciência?

“Dizem que seres invisíveis se comunicam; por que negá-lo?

“Antes de inventar-se o microscópio, suspeitava alguém que existissem esses milhares de animálculos que causam tantos estragos à economia?"

“Onde a impossibilidade material de haver no espaço seres que escapem aos nossos sentidos?"

“Teremos, acaso, a ridícula pretensão de saber tudo, e de dizer que Deus nada mais nos pode revelar"?

“Se esses seres invisíveis, que nos rodeiam, são inteligentes, por que não poderão comunicar-se conosco? Se estão em relação com os homens, devem desempenhar um papel no seu destino, nos acontecimentos da vida destes. Quem sabe se eles não constituem uma das potências da natureza, uma dessas forças ocultas de que nem suspeitávamos"?

“Que novo horizonte vai abrir-se ao pensamento! Que campo tão vasto de observação"!

“São ideias tão estranhas”, dizem, “que não se lhes deve dar crédito, mas a isso se pode responder que data de meio século a possibilidade de, em alguns minutos, estabelecer-se correspondência entre dois pontos opostos do nosso planeta; em algumas horas, atravessar-se a França; com o vapor produzido por um pouco de água fervente, um navio avançar contra o vento; e tirarmos da água os meios de iluminar-nos e aquecer-nos.

“Quem, há meio século, se tivesse proposto iluminar toda a cidade de Paris em um instante e com um só reservatório de uma substância invisível, apenas conseguiria fazer rir de si.

“Será isso, porventura, coisa mais prodigiosa que o espaço ser povoado pelos seres pensantes que, depois de haverem vivido na Terra, nela deixaram seu invólucro material"?

“Não se achará neste fato a explicação de tantas crenças que existem desde os mais remotos tempos"?

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Oposição da Ciência - Parte 2

1- Por que a ciência errou ao tentar experimentar o espiritismo?

A ciência tentou ver a questão dos espíritos como se fosse mera coisa terrena, assim como eles manipulam a matéria acharam que conseguiriam assim manipular os espíritos, porém, se depararam de frente a algo fora de seus entendimentos e capacidades, pois um espírito não é uma simples célula animal que pode ser manipulada e modificada, é um ser a parte dotado de inteligência e livre arbítrio o que lhe confere todas as capacidades necessárias para sua existência e para cumprir sua vontade, por isso a ciência acabou por decretar que se não poderia manipular os espíritos, os mesmos não poderiam ser algo real, julgando se tratar de mera brincadeira feita por grupos. mas os próprios espíritos foram quebrando essas ideias dos "sábios", ao irem se manifestando de formas inteligentes em todas as partes do mundo trazendo respostas iguais por pessoas que se encontravam em pontos diferentes do planeta.

2- Por que se diz que o espiritismo é uma questão de crença pessoal?

Pois podemos perceber que a crença nos espíritos não pode ser forçada a ninguém, é uma questão da própria virtude e mente de cada um, e também se o mesmo se encontra pronto a pensar e desvendar aquilo que esta bem diante de seus olhos, nem mesmo se fosse revelado a plena praça publica, o espiritismo ainda assim não forçaria a crença de ninguém, pois tem em sua base a analise e o tempo de cada um, quantos "sábios" tinham evidencias em suas mãos e mesmo assim duvidavam das mais simples evidencias que lhes apresentavam, tão somente enxergavam que estavam errados quando sua mente e sua vontade decidiam por aceitar enxergar os assuntos por outro angulo. e o espiritismo por ser uma ideia filosófica, tem primeiro em sua base a necessidade de que a pessoa procure conhecer de fato, coisa que dificilmente acontece, vendo que muitos que o atacam, nada sabem de certo sobre o alvo de suas queixas, mas quando abrem suas mentes e adquirem algum conhecimento sobre a doutrina, dificilmente não ficam intrigados por conhecer um pouco mais sobre o espiritismo.

3- Como Kardec vê o futuro da doutrina espírita diante da ciência?

Kardec deixa claro que vê o espiritismo como uma mudança certa no seio da humanidade, fazendo com que a ciência mesmo duvidosa, acabe percebendo as verdades por trás de todos os fenômenos que hoje ela simplesmente repele, então no futuro, o espiritismo será uma verdade assim como é a rotação da Terra em torno do sol, a força da gravidade, e muitas outras verdades antes tratadas ate como ilusões pelos mesmos "sábios" da época e ate mesmo dos dias de hoje.

"Tempos em que a união de pensamentos, em torno da solidariedade e da fraternidade universais podem promover uma evolução moral dos indivíduos, eis o momento mágico dos espíritos em que a verdade bate em todas as portas, não como uma instituição, não como um dogma, muito menos uma religião tradicional, sendo assim o espiritismo seria uma codificação infinita e eterna."             (Kardec, O que é o espiritismo)

Oposição da Ciência - Parte 1

1- Qual era a visão da ciência no inicio da doutrina espírita?

A ciência moderna que nasceu no século XVII, tinha um grande preconceito sobre os fenômenos espíritas, divulgavam como sendo apenas obras de farsantes que tentavam entreter ou apenas extorquir a crédulos. Muitos cientistas porem, que tentaram estudar a fundo a doutrina deixando preconceitos e testando e observando minuciosamente, acabaram até por acreditar e seguir a doutrina, assim como o Naturalista Alfred Russel Wallace.
Os chamados sábios, simplesmente rejeitavam e a cada momento vinham com teorias novas que teriam a capacidade de desmentir por completo todos os fenômenos espíritas, mas no entanto nenhum deles realmente conseguiu dar este golpe mortal na doutrina que sempre possuía as explicações necessárias para por em terra mais uma tentativa de atingi-la.
Tentavam influenciar outras pessoas que no fim também acabavam tendo mais interesse ainda na doutrina, e quando a estudavam, percebiam que havia um que de mistério que a ciência e seus sábios nunca conseguiam explicar, afinal a ciência não tinha resposta para um fenômeno que se difundia em todo o mundo ao mesmo tempo e que trazia exatamente as mesmas metas e ensinamentos em países diferentes por pessoas diferente que nem ao menos sabiam da existência uma das outras. Sendo assim, os sábios e a ciência que de todas as formas tentavam atrapalhar a marcha crescente do espiritismo, foram um dos importantes divulgadores da obra, trazendo as duvidas a muitos, que buscavam exatamente a doutrina e por ela se encantavam.

2- Por que não podemos dar como certo a visão da ciência em um todo na questão do espiritismo?
Vejamos num seguinte ponto, nada nesta Terra é exato de uma forma que não possa sofrer alterações, cada dia alguma nova força é descoberta, um calculo revisto, algo que ontem era impossível, hoje se torna natural. e afinal de contas o que é impossível? não quebrou o homem a barreira da gravidade, fazendo com que hoje um avião do tamanho de um prédio faça o homem voar? não conseguiu o homem criar maquinas que o leva a explorar os mistérios do fundo dos oceanos e do universo?
A ciência é um ponto de partida, ela nos da a chave do inicio de nossos estudos, que não devem ficar retidos em alguns cálculos achando que com isso tudo já esta resolvido e não mais mudará.
Por isso não podemos defender a fogo as explicações da ciência quando negam por completo as manifestações espirituais, afinal essa mesma ciência já se enganou muitas vezes no passado, simplesmente rejeitando hoje algo que amanha se mostra como uma grande verdade e mudança. Kardec diz: - Se nunca a Ciência se houvesse enganado, sua opinião nesse sentido teria grande peso na balança; infelizmente, a experiência prova o contrário.
Não repeliu ela como quimeras tantas descobertas que, mais tarde, se tornaram título de glória para os seus autores?
Não foi devido a um parecer do nosso primeiro corpo sábio que a França se absteve da iniciativa do vapor?
Quando Fulton veio ao campo de Bolonha apresentar o seu plano a Napoleão I, que confiou o exame imediato ao Instituto, não decidiu este que aquilo era uma utopia, com o que se não devia ocupar?
Devemos daí concluir que os membros do Instituto são ignorantes e que sejam justificados os epítetos triviais que, à força de mau gosto, certas pessoas se comprazem em prodigalizar-lhes?
Certo que não; não há pessoa sensata que não faça justiça ao seu saber eminente, sem, contudo, deixar de reconhecer que eles não são infalíveis e, portanto, que as suas sentenças não estão isentas de apelação, sobretudo no que se refere a ideias novas.

O Maravilhoso e o Sobrenatural

1- Por que o espiritismo não admite os milagres?

12. Os fenômenos espíritas são espontâneos, na maior parte dos casos, e produzem-se nem nenhuma idéia preconcebida, com pessoas que menos os esperam; em certas circunstâncias, há fenômenos que podem ser provocados por agentes designados sob o nome de médiuns; no primeiro caso, o médium é inconsciente do que se produz por seu intermédio; no segundo, age com conhecimento de causa: daí a distinção dos médiuns conscientes e médiuns inconscientes. Estes últimos são os mais numerosos e são encontrados frequentemente entre os mais obstinados incrédulos, que assim tomam parte no Espiritismo sem o saber e sem o querer. Os fenômenos espontâneos, por isso mesmo, têm uma importância capital, pois não se pode duvidar da boa fé das pessoas que os obtêm. Dá-se aqui o que se dá com o sonambulismo que, com certos indivíduos, é natural e involuntário, e com outros, provocado pela ação magnética.
Porém, quer estes fenômenos sejam ou não o resultado de um ato da vontade, a causa primária é sempre a mesma e em nada se afasta das leis naturais. Os médiuns não produzem absolutamente nada de sobrenatural; por conseguinte, não fazem nenhum milagre; as próprias curas imediatas não são mais miraculosas do que os outros efeitos, pois elas são devidas à ação de um agente fluídico que faz o papel de agente terapêutico, cujas propriedades não são menos naturais por terem sido desconhecidas até agora. O epíteto de taumaturgos, dado a certos médiuns pela crítica ignorante dos princípios do Espiritismo é, pois, inteiramente impróprio. A qualificação de milagres, dada, por comparação, a estas espécies de fenômenos, somente pode induzir em erro sobre o verdadeiro caráter deles.

13. A intervenção de inteligências ocultas nos fenômenos espíritas não os torna mais miraculosos que todos os demais fenômenos devidos a agentes invisíveis, pois esses seres ocultos que povoam os espaços são uma das potências da natureza, potência cuja ação é incessante sobre o mundo material como sobre o mundo moral.
O Espiritismo, esclarecendo-nos acerca desse poder, nos dá a chave de uma multidão de coisas inexplicadas, e inexplicáveis por quaisquer outros meios e que, em tempos recuados, puderam passar por prodígios; de modo semelhante ao magnetismo, ele revela uma lei, senão desconhecida, pelo menos mal compreendida; ou, dizendo melhor, conhecem-se os efeitos, pois são produzidos em todos os tempos, mas não se conhecia a lei; e a ignorância dessa lei é que engendrou a superstição. Conhecida essa lei, o maravilhoso desaparece e os fenômenos voltam à ordem das coisas naturais. Eis porque os Espíritos tanto fazem um milagre quando fazem girar uma mesa ou fazem os mortos escreverem, quanto o médico faz que um moribundo reviva, ou o físico quando faz cair um raio. Aquele que pretendesse, com o auxílio dessa ciência, fazer milagres, ou seria um ignorante do assunto, ou um charlatão.

14. Pois que o Espiritismo repudia toda pretensão às coisas milagrosas, haveria fora ele milagres na acepção usual da palavra?

Digamos para começar que entre os fatos considerados como milagrosos, os quais sucederam antes do advento do Espiritismo, e que ainda se passam em nossos dias, a maior parte, senão todos, encontram explicação nas leis novas que ele veio revelar; tais fatos, pois, retornam à ordem dos fenômenos espíritas, embora sob outro nome, e como tais, nada têm de sobrenatural. Fique, porém, bem entendido que aqui não se trata senão de fatos autênticos, e não de casos que, sob o nome de milagres, são o produto de uma indigna sutileza, executada com o objetivo de explorar a credulidade; tampouco nos referimos a certos fatos legendários que, em sua origem, podem ter tido um fundo de verdade, mas que a superstição ampliou até o absurdo. É sobre tais fatos que o Espiritismo vem lançar a luz, proporcionando os meios de fazer distinção entre o erro e a verdade.
(A Gênese, Cap. 13, tópicos 12, 13, 14...)

2- Por que o espiritismo pode ser visto como uma doutrina filosófica?
"O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas consequências morais que decorrem dessas relações" (Kardec)
O Espiritismo é uma doutrina essencialmente filosófica. Analisando a natureza humana, algumas questões vêm atravessando séculos e civilizações :
existe Deus ?
de onde viemos ?
para onde vamos ?
por que estamos na Terra ?
por que e para que tanta luta ?
existe vida após a morte ?
se existe, o homem é feliz ou infeliz após a morte ?

O aspecto filosófico do Espiritismo ocupa-se com a finalidade da vida e com a destinação da alma. Mostra-nos através de um raciocínio lógico que fomos todos criados simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento e sem moral desenvolvida, e que através de vidas sucessivas caminhamos para a nossa destinação que é a felicidade.
"O objetivo da evolução, a razão de ser da vida, não é a felicidade terrestre, como muitos erradamente creem, mas o aperfeiçoamento de cada um de nós, e esse aperfeiçoamento devemos realizá-lo por meio de trabalho, do esforço, de todas as alternativas da alegria e da dor, até que nós tenhamos desenvolvido completamente e elevado ao estado celeste"

3- Como é a relação do espiritismo e das superstições, e explique como o espiritismo veio a esclarecer a maioria delas ?

As superstições muitas vezes foram fundadas em fenômenos mediúnicos não explicados, e quando não se sabe o que realmente ocasionou um efeito, ou seja quando não se conhece sua causa, a imaginação, inocência ou ate mesmo má fé de muitos, transforma essas manifestações em meio de domínio, ou de brincadeira, vindo da parte de espíritos zombeteiros, que ganham com isso energias, ou ate mesmo servos, pois se utilizam destes meios para que em suas superstições as pessoas menos esclarecidas venham a aceitar, muitas formulas mágicas e ate mesmo pedidos destes espíritos para lhes conseguir sanar seus desejos ainda materiais. Mas o espiritismo como ciência sabia e lógica, usa do raciocínio e estudo serio para que demonstre a todos que tudo tem uma explicação, que não devemos acreditar em algo sem antes termos total conhecimento sobre o que rege esta ou aquela manifestação.
Pois a priori de tudo o espiritismo deixa claro, neste mundo e em todos os outros, não há efeito sem causa, ou seja, mesmo que hoje possamos não saber o que realiza tal manifestação, amanha teremos a resposta e veremos que os monstros antes aterrorizantes, não passavam de pura balela vindo de entidades menos iluminadas.

"Em parte, o preconceito e o mau juízo que se tem dos fenômenos mediúnicos repousam na ignorância das leis que regem o mundo espiritual. Por outro lado, há pessoas que, por desconhecerem essas leis, adotam um comportamento supersticioso ante as coisas espirituais. De acordo com os dicionaristas, a superstição é o “sentimento religioso que se funda no temor ou na ignorância e que leva ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes”.

Geralmente, teme-se o desconhecido. Quando, porém, se estuda o Espiritismo, com seriedade, deixa-se de agir supersticiosamente, pois tais fenômenos estão na ordem dos fatos naturais. Não raro, médiuns, mesmo quando agem de boa-fé, algumas vezes produzindo curas, são chamados de “feiticeiros” pelos que desconhecem tais faculdades, atribuindo-as a um poder sobre-humano que absolutamente não existe Muitas vezes, a pessoa é, antes de tudo, vítima de si mesma, pois “Deus não escuta uma maldição injusta, e aquele que a pronuncia é culpado aos seus olhos”. O Espírito André Luiz traz um exemplo interessante, que ilustra esta assertiva: Nesse momento, renteou conosco uma entidade em deplorável aspecto. Era um homem esguio e triste, exibindo o braço direito paralítico e ressecado. [...] Acerquei-me do amigo sofredor. Toquei-lhe a fronte, de leve, e registrei-lhe a angústia. Nas recordações que se lhe haviam cristalizado no mundo mental, senti-lhe o drama interior. Fora musculoso estivador no cais, alcoólatra inveterado que,certa feita, de volta a casa, esbofeteou a face paterna, porque o velho genitor lhe exprobrara o procedimento. Incapaz de revidar, o ancião, cuspinhando sangue, praguejou, desapiedado: – Infame! o teu braço cruel será transformado em galho seco... Maldito sejas! Ouvindo tais palavras que se fizeram seguidas por terrível jacto de força hipnotizante, o mísero tornou à via pública, sugestionado pela maldição recebida, bebericando para esquecer. Cambaleante, foi vitimado num desastre de bonde, no qual veio a perder o braço. Sobreviveu por alguns anos, coagulando, contudo, no próprio pensamento a ideia de que a expressão paternal tivera a força de uma ordem vingativa a se lhe implantar no fundo d'alma e, por isso, ao desencarnar, recuperara o membro dantes mutilado a pender-lhe, ressecado e inerte, no corpo perispirítico.

Finalizando, a superstição não consiste na crença em um fato, quando comprovado, mas na causa ilógica a ele atribuída. Quanto mais aprofundamos nos estudos espíritas, mais vamos descobrindo a razão e o porquê dos fenômenos espirituais que ocorrem, todos subordinados a leis naturais, os quais, mal compreendidos pela ignorância humana, são igualmente mal interpretados e mal explicados pelo vulgo: O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma porção de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu uma infinidade de fábulas, em que os fatos são exagerados pela imaginação. O conhecimento esclarecido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma só, é o melhor preservativo contra as ideias supersticiosas, porque, ao mostrar a realidade das coisas e suas verdadeiras causas, revela o que é possível e o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de uma crença ridícula."
(Fonte: http://centroeleocadiocorreia.com.br/portal/biblioteca-virtual/artigos-revista-reformador/299-superticoes-feiticos)

4- Explique a visão cientifica do espiritismo.

Se os fenômenos espíritas se limitassem ao círculo de seus seguidores, a opinião geral poderia ver neles simples artigos de fé, sem maiores consequências de interesse geral. Mas a verdade é que esses fenômenos se multiplicaram, em uma sucessão sempre audaz e desafiadora. O expediente de proibições e excomunhões se tornava ineficaz, desacreditado e ingênuo diante da avalanche de fenômenos variados, como vozes misteriosas, contato de mãos invisíveis, materializações de espíritos, escritas diretas, aparições de espíritos familiares, revelações de uma vida superior e mais bela etc., atestando a inquestionável sobrevivência da alma.
Era natural que, em face do volume de tantos fatos, a sociedade requisitasse o exame consciencioso de seus sábios e cientistas. Estes então, acossados por todos os lados, descruzaram os braços e se puseram a campo para uma investigação rigorosa e fria. A ciência, representada por um grupo de personalidades sérias e refratárias a imposições religiosas, foi chamada a depor e o fez de tal forma que o Espiritismo foi, por assim dizer, devidamente fotografado, pesado e medido.

A PALAVRA DOS CIENTISTAS

Coube a Willian Crookes, o célebre físico inglês, chamar a atenção de toda a Europa racionalista para a realidade dos fatos espíritas. Muitos esperavam que, de suas investigações, viesse uma condenação irrevogável e humilhante, mas o veredicto do eminente sábio foi favorável. A cética Inglaterra se assustou com as certezas obtidas dentro do mais severo método científico e cercadas de extrema prudência, afinal, era preciso aceitá-las, uma vez que Crookes pesquisou com frieza, observou pacientemente, fotografou, provou, contraprovou e se rendeu.

Russel Wallace, físico naturalista considerado rival de Charles Darwin, confessou que "era um materialista tão convicto que não admitia absolutamente a existência do mundo espiritual". Disse ainda: "Os fatos, porém, são coisas pertinazes, eles me obrigam a aceitá-los como fatos".

Cromwel Varley, engenheiro descobridor do condensador elétrico, disse: "O ridículo que os espíritas têm sofrido não parte senão daqueles que não têm o interesse científico e a coragem de fazer algumas investigações antes de atacarem aquilo que ignoram".

Para Oliver Lodge, físico e membro da Academia Real, os cientistas não vieram "anunciar uma verdade extraordinária, nenhum novo meio de comunicação, apenas uma coleção de provas de identidade cuidadosamente colhidas". Lodge explica ainda o porquê de afirmar que as provas foram cuidadosamente colhidas, dizendo que "todos os estratagemas empregados para sua obtenção foram postas em prática e não fiquei com nenhuma dúvida da existência e sobrevivência da personalidade após a morte".

O professor de física William Barrett afirmou que a existência de um mundo espiritual, a sobrevivência após a morte e a comunicação dos que morreram são evidentes. "Dos que ridicularizavam o Espiritismo, ninguém lhe concedeu, que eu saiba, atenção refletida e paciente. Afirmo que toda pessoa de senso que consagrar o seu estudo prudente e imparcial tantos dias ou mesmo tantas horas, como muitos de nós têm consagrado anos, será constrangido a mudar de opinião", disse.

Fredrich Myers, da Sociedade Real de Londres, disse: "Pelas minhas experiências, convenci-me de que os pretendidos mortos podem se comunicar conosco e penso que, para o futuro, eles poderão fazê-lo de modo mais completo".

Já o italiano Ernesto Bonano, que se dedicou por mais de 30 anos aos estudos psíquicos, afirmou, sem temer estar equivocado, "que fora da hipótese espírita, não existe nenhuma outra capaz de explicar os casos análogos ao que acabo de expor".
(Fonte: "http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2661&catid=81")

A Impotência dos Detratores

1 - Por que até hoje os detratores não conseguiram atingir a doutrina espírita ?

Pois por mais que tentem atingir de formas diferentes, suas demonstrações e planos nunca são convincentes ou mesmo desatam toda a verdade que dizem possuir, fazendo com que ao invés de derrubar alguma ideia sobre a doutrina, acaba por fazê-la ainda mais intrigante, arrastando ainda mais pessoas para desvendar os fatos expostos. O maior problema é que os detratores nunca procuram a verdade onde realmente está, fixam suas ideias em suas próprias convicções e tentam atribuir as causas dos fenômenos espíritas a todo tipo de figurações ou superstições, e também erram ao achar que o espiritismo esta em sua base as ideias de um só homem, achando que desmentindo ao homem, conseguiriam derrubar toda a ideia.

2- Qual a base a doutrina espírita possui para não ser atingida? Exemplifique.

A doutrina Possui em sua base, que todas as ideias e conceitos, são universais, estão dispostas em todas as partes da Terra, pois não há lugar aonde os espíritos não possam se manifestar, sendo assim difundida a doutrina entre os mais ricos palácios de países nobres, aos mais pobres casebres de países pobres.
Ou seja a Doutrina espírita esta na natureza em si, é possível uma pessoa receber diretamente comunicações dos espíritos em um local e em outro completamente diferente confirmar as manifestações, assim sendo como pode um individuo que por ele próprio buscou as respostas e recebeu ele mesmo todos os resultados sem interrupção de outros e nem ideias pré moldadas a ele.

Fazendo abstração das qualidades da Doutrina, que agrada muito mais que as que se lhe opõem, veem nisso a causa dos insucessos dos que tentam deter-lhe a marcha, para que triunfassem, era-lhes necessário impedir que os espíritos se manifestassem.
Pensem numa pessoa que em um centro espírita recebe uma mensagem de um ente desencarnado, porém, duvida da comunicação achando-se vitima de mentiras ou charlatanismo, eis que a mesma pessoa em centro diferente, com outras pessoas sem ligações com o primeiro, lhes encaminham nova mensagem que vem em suma validar todas as informações da primeira mensagem, sendo assim, como poderia alguém duvidar de tais manifestações sem uma explicação lógica, que a doutrina sempre oferece.

3 - De quais maneiras os detratores tentam atingir o espiritismo, e o que ocorre devido as suas tentativas? Por que?

A tentativa maior dos detratores, era de ridicularizar a doutrina, julgando-a mero brinquedo de diversão para divertimento alheio, começou as criticas, no momento que via-se a doutrina ganhar corpo maior do que apenas mesas que giravam e aguçavam a curiosidade de todos, a doutrina sempre ascendeu entre pessoas esclarecidas, mas mesmo assim, os detratores, viam ai a oportunidade de julgar que tais pessoas utilizavam da fé alheia para se engradecer de alguma forma, a igreja acusava o espiritismo em praça publica de obra do demônio, e ate mesmo chegou a queimar diversos exemplares do livro dos espíritos diante de uma plateia que a seguia cegamente.

" apesar de tudo o que se fez para entravá-la e desnaturar-lhe o caráter, tendo em vista desacreditá-lo na opinião pública. Há mesmo a se anotar que, tudo o que se fez com esse objetivo, favoreceu-lhe a difusão; o ruído que se fez a seu propósito levou-o ao conhecimento de pessoas que dele jamais ouviram falar; quanto mais o difamaram ou ridicularizaram, mais as invectivas foram violentas, mais estimulou a curiosidade; e como não pode senão ganhar ao exame, disso resultou que os seus adversários dele se fizeram, sem o querer, os ardentes propagadores; se as diatribes não lhe trouxeram nenhum prejuízo, foi porque estudando-o em sua fonte verdadeira, o encontraram diferente do que havia sido representado."
fonte: ( http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/op/op-26.html )

quarta-feira, 23 de julho de 2014

O Que é o Espiritismo: Capitulo 1 Segundo Dialogo "Fenômenos Espiritas Simulados"

1- Como começou a desconfiança de simulações dos fenômenos mediúnicos?

Isto é privilégio de todas as coisas que apresentam a possibilidade de engendrar falsificações.
Acreditaram alguns prestidigitadores que o nome de espiritismo, por causa da sua popularidade e das controvérsias de que era objeto, podia servir a explorações, e para atrair a multidão simularam, mais ou menos grosseiramente, alguns fenômenos de mediunidade, como já tinham simulado a clarividência sonambúlica; e todos os gaiatos os aplaudiram, bradando: Eis aí o que é o Espiritismo!
Quando se mostrou em cena a engenhosa aparição dos espectros, não se proclamou que naquilo recebia o Espiritismo um golpe mortal?
Antes de pronunciar tão positiva sentença, deve-se refletir que as asserções de um escamoteador não são palavras de um evangelho, e certificar se há identidade real entre a imitação e a coisa imitada. Ninguém compra um brilhante sem primeiro estar convencido de não ser uma pedra d'água. Um estudo, mesmo pouco acurado, tê-los-ia certificado de serem completamente outras as condições em que se dão os fenômenos espíritas; eles, além disso, ficariam sabendo que os espíritas não se ocupam de fazer aparecer espectros nem de ler a buena-dicha.
"O Que é o Espiritismo, Fenômenos espíritas simulados."

A situação atual do problema mediúnico, nesta fase de acelerada transição da vida terrena, exige novos estudos e atualizadas reflexões sobre a Mediunidade. As descobertas científicas do nosso tempo, especialmente na Física, na Psicologia e na Biologia, confirmaram decisivamente a teoria espírita da Mediunidade, a ponto de interessarem os próprios cientistas soviéticos pela obra do racionalista francês Allan Kardec, segundo as informações procedentes da URSS. As teorias parapsicológicas, confirmadas pelas mais rigorosas experiências de laboratório, pareciam inicialmente contraditar os conceitos espíritas, firmados em meados do século passado e por isso mesmo suspeitos de insuficiência. Todos os fenômenos mediúnicos reduziam-se ao plano mental, a ponto de substituir-se as palavras alma e Espírito pela palavra mente. Instituía-se um mentalismo psicofisiológico que ameaçava todas as concepções espiritualistas do humano.
Durou pouco essa ameaça. Após dez anos de pesquisas repetitivas sobre os fenômenos mais simples, como clarividência e telepatia, outros fenômenos, mais complexos e profundos, impuseram-se à atenção dos cautelosos pesquisadores, que começaram a levantar, sem querer, as pontas do Véu de Ísis. Num instante a invasão das áreas universitárias da América e da Europa, com repercussões imediatas nos grandes centros culturais da Ásia, pelos fenômenos de aparições, vidência, manifestações tiptológicas e de levitação de objetos sem contato, bem como os de precognição e retrocognição, levaram o Prof. Joseph Banks Rhine, da Universidade de Duke (EUA) a proclamar com dados experimentais de inegável significação, que o pensamento não é físico, o mesmo se aplicando à mente. Rhine se expunha ao temporal de críticas e ironias, expondo a Parapsicologia à excomunhão cultural. Vassiliev, da Universidade de Leningrado, propôs-se a provar o contrário, através de uma série de experiências, mas não o conseguiu. Desencadeou-se então, no mundo, o que a Encyclopaedia Britannica chamou de psychic-boom, uma explosão psíquica mundial. Os fenômenos mediúnicos conseguiram, afinal, a cidadania científica que as Academias lhe haviam negado. Parodiando uma expressão de Kardec sobre o hipnotismo, repudiado durante anos pela Academia Francesa, podemos dizer que a Mediunidade, não podendo entrar nas Academias pela porta da frente, entrou pela porta da cozinha, ou seja, dos laboratórios.
O reconhecimento científico da realidade dos fenômenos mediúnicos afetou beneficamente o Espiritismo, mas trouxe-lhe também algumas desvantagens. Muitos espíritas se deslumbraram com o fato e julgaram-se capazes, embora sem o necessário preparo, de criticar e reformar Kardec, o vencedor, como se fosse um derrotado. Com isso pulularam as inovações teóricas e práticas no Espiritismo, aturdindo particularmente os iniciantes, que afluíram em massa às instituições doutrinárias.
O que daí por diante se publicou, em jornais, revistas, folhetos e livros, a pretexto de ensinar Espiritismo e Mediunidade, foi uma avalanche de pretensões vaidosas e absurdos desmedidos.
Por toda parte surgiram os profetas da nova era científico-espírita, além do charlatanismo
interesseiro e ganancioso dos professores contrários à doutrina, que se julgavam mais capazes de refutar Rhine do que o veterano Vassiliev. Hoje ainda perduram as confusões a respeito. Afirma-se tudo a respeito da Mediunidade: é uma manifestação dos poderes cerebrais do humano, esse computador natural que pode programar o mundo; é uma eclosão dos resíduos animais de percepção sem controle de órgãos sensoriais específicos; é uma energia ainda desconhecida do córtex cerebral, mas evidentemente física (Vassiliev); é um despertar de novas energias psicobiológicas do humano, no limiar da era cósmica; é o produto do inconsciente excitado; é uma forma ainda não estudada da sugestão hipnótica. Ninguém se lembra da explicação simples e clara de Kardec: é uma faculdade humana.
"como eu entendo a mediunidade, Jose Herculano Pires, Introdução"

2- Quais os cuidados que Kardec recomendava para não cair-se nas mãos de enganadores?

Sabe-se os Espíritos, por causa da diferença que existe em suas capacidades, estão longe de estar individualmente de posse de toda a verdade; que não é dado a todos penetrar certos mistérios; que seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais que os homens, e mesmo menos que certos homens; que há entre eles, como entre os últimos, os presunçosos e os pseudo-sábios que crêem saber aquilo que não sabem; sistemáticos que tomam as suas idéias pela verdade... árbitros da verdade. Em semelhante caso, que fazem os homens que não têm, neles mesmos, uma confiança absoluta? Apegam-se à opinião de maior número, e a opinião da maioria é seu guia. Assim deve-se ser com respeito aos ensinos dos Espíritos que disso nos forneceram, eles mesmos, os meios.
A concordância dos ensinamentos dos Espíritos é então o melhor controle; mas é preciso que ela tenha lugar em certas condições. A menos certa de todas, é quando um médium interroga, ele mesmo, a vários Espíritos sobre um ponto duvidoso; é bem evidente, que se ele está sob o império de uma obsessão, e se estiver influenciado por um Espírito enganador, esse Espírito pode lhe dizer a mesma coisa sob nomes diferentes. Não há, não mais, uma garantia suficiente na conformidade que podemos obter pelos médiuns de um só centro, porque eles podem sofrer a mesma influência. A única garantia séria está na concordância que existe entre as revelações feitas espontaneamente pela mediação de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos países. Concebe-se que não se trata aqui das comunicações relativas a interesses secundários, mas daquelas que se relacionam aos princípios mesmos da Doutrina...
O primeiro controle é, sem contradita, aquele da razão, à qual é necessário submeter, sem exceção, tudo aquilo que venha dos Espíritos; toda teoria em contradição manifesta com o bom senso, com uma lógica rigorosa, e com os dados positivos que se possui, mesmo que seja assinada por nome respeitável, deve ser rejeitada. Mas esse controle é incompleto em muitos casos, devido à insuficiência de luzes de certas pessoas e da tendência, de muitos, de manter seu próprio julgamento como árbitro único da verdade. A única garantia séria está na concordância que existe entre as revelações feitas espontaneamente pela mediação de um grande número de médiuns estranhos, uns aos outros, e em diversos países.
Tal é a base sobre a qual nós nos apoiamos quando formulamos um princípio da Doutrina; não é porque esteja de acordo com nossas ideias que o damos como verdadeiro; não nos colocamos de nenhuma maneira como árbitros superiores da verdade, e não dizemos a ninguém: Crê em tal coisa, porque o dizemos. Aos nossos olhos, nossa opinião não é mais que uma opinião pessoal, que pode ser certa ou falsa, porque não somos mais infalíveis que ninguém. Não é mais porque um princípio nos é ensinado que é para nós a verdade, mas porque recebeu a sanção da concordância.”

3- Como os críticos do espiritismo buscavam e ate hoje buscam meios de desmentir a doutrina?

Os críticos tem um pensamento único de igualar todas as manifestações sejam serias ou simplesmente levianas, como se fossem uma só coisa dentro do espiritismo, atacam a doutrina julgando ela ser apenas uma manifestação dos homens, mas se esquecem de realmente estudar a fundo o que vem de cunho espiritual, muitos dizem ler sobre o espiritismo, ou mesmo ao assistir uma sessão de cartomancia, e acreditam que vendo esses meios são capazes de ali resumir tudo que acontece em integra nas manifestações serias e estudos reais, atacam com ideias construídas sobre bases fracas, que qualquer um que estude um pouco mais, consegue ver o tamanho do erro que se utilizam os críticos para atacar a tudo, o homem simplesmente acredita naquilo que quer, e quando se põe com ideias já formadas sem se dar uma abertura para analisar melhor os fatos, mostram que não estão realmente preparados para começar a entender a doutrina que nos foi passada pelos guias espirituais.

“O erro de todos está em crerem que a fonte do Espiritismo é uma só, e que se baseia na opinião de um só homem; daí a ideia de que poderão arruiná-lo, refutando essa opinião; eles procuram na Terra uma coisa que só achariam no Espaço; essa fonte do Espiritismo não se acha num ponto, mas em toda a parte, porque não há lugar em que os Espíritos se não possam manifestar, em todos os países, nos palácios e nas choupanas”. (O que é o Espiritismo).

4- Diga exemplos de perseguições que ao invés de desmoralizar o espiritismo, ao contrario, o ajudava a divulgar, e diga o porque?

O espiritismo sempre foi atacado de diversas formas, eram livros escritos com dizeres de quem afirma ter total conhecimento sobre os assuntos, porem nunca sequer assistiram realmente a uma reunião, temos os que visitando obras artísticas, com sabidamente atores ou enganadores que se utilizam do espiritismo pra se divulgar, outros que hoje em dia usam de palavras de estudos de outros, ou ate mesmo de falsificações de grandes nomes do espiritismo, para mostrar que seus pontos de vista estão corretos e que em tudo o espiritismo é uma mentira.
Temos visto com o crescimento da internet, pessoas que buscam usar a própria doutrina espírita, para desmentir a doutrina espírita, o que a primeira leitura achamos ver uma pessoa com conhecimento do que fala, ao aprofundar a nossa visão, vemos que o mesmo critico, se perde desesperadamente tentando refutar cada argumento com algo que não tem tanto a ver, ainda mais quando sabemos que cada caso é diferente, tendo sempre que utilizarmos de pesquisa e estudo serio para uma análise dos fatos, e ainda mais quando afirmam seus pontos de vista, fazendo julgamentos, dessa maneira já provam que pouco puderam aprender com esta doutrina, que nos ensina a não julgar.

Esses ataques a doutrina, vem trazendo muitas vezes mais partidários do que inimigos, pois
podemos ver que quando algo é tão perseguido, acaba causando curiosidade, e quando a curiosidade quebra a inércia e faz a pessoa buscar conhecimento, acaba fazendo com que os mesmos críticos sejam divulgadores daquilo que queriam combater, e muitos estudiosos sérios, tendo conhecimento maior sobre a doutrina, veem seu aspecto serio e acabam por também aderir a mesma, engrossando assim o numero daqueles que vem se unindo ao espiritismo, e muitos dos próprios críticos, tendo que aprender algo sobre aquilo que criticavam, acabam enxergando erros e assumindo que muitas coisas não eram da maneira com que antes visualizavam.

" A nossa atenção é sempre chamada sobre aquilo que vemos atacado; há muita gente que quer ver os prós e os contras, e a crítica faz aparecer a verdade, mesmo aos olhos daqueles que não a procuravam aí; é assim que muitas vezes, sem querer, se faz reclamo do que se quer combater.
A questão dos Espíritos é, por outro lado, tão palpitante de interesse, choca a tal ponto a curiosidade, que basta assinalá-la à atenção, para que nasça o desejo de aprofundá-la."

(O que é o Espiritismo, primeiro dialogo, o critico, 6° Pergunta )

O Que é o Espiritismo: Capitulo 1 Segundo Dialogo "Dissidências"

1- Quais eram as principais dissidências no principio da doutrina espírita?

No inicio da doutrina via-se a cena completamente cercada de manifestações de varias partes do mundo, muitas delas sendo copiadas por aproveitadores que visavam se engrandecer com o movimento novo que se apresentava, e tantas outras seitas que se utilizavam do espiritualismo para seus fins e que com o crescimento dos críticos e céticos, foram querendo misturar a nova doutrina a estas seitas que já existiam anteriormente, tendo em vista esses acontecimentos, que ocorriam em grande parte do mundo, os críticos acharam ai maneira de igualar a todo  e qualquer divulgador da boa nova como simples charlatão, mas com o nascimento dos livros e dos estudos sérios da doutrina, viu-se que nada tinham a creditar negativamente a doutrina que nascia e que ate hoje cresce em passos largos por dentre o silencia da marcha do bem, veja, que na época em vários locais do mundo nasciam estudiosos da doutrina e como cada professor tem sua maneira de ensinar e de aprender, assim foi com o inicio da doutrina, que mesmo que se colocassem em certos pontos uma visão diferente, estudando a fundo, a base se encontrava em cada uma delas, esta base formada, podia-se aparar as arestas erradas e simplesmente com o tempo foi se agregando somente a verdade e a base real e irrefutável da doutrina, e aqueles que faziam de seus estudos, mero jogo para iludir, foram aos poucos caindo no esquecimento e mostrando aos críticos, que suas bases para desvirtuar a doutrina, estava montada sobre a areia.


2- Como aponta Kardec, os fracos argumentos contra as divergências no inicio da doutrina?


Uma questão que desde logo se apresenta é a dos cismas que poderão nascer no seio da Doutrina. Estará preservado deles o Espiritismo?
          Não, certamente, porque terá, sobretudo no começo, de lutar contra as ideias pessoais, sempre absolutas, tenazes, refratárias a se amalgamarem com as ideias dos demais; e contra a ambição dos que, a despeito de tudo, se empenham por ligar seus nomes a uma inovação qualquer; dos que criam novidades só para poderem dizer que não pensam ou agem como os outros, pois lhes sofre o amor-próprio por ocuparem uma posição secundária.
          Se, porém, o Espiritismo não pode escapar às fraquezas humanas, com as quais se tem de contar sempre, pode, todavia neutralizar lhes as consequências e isto é o essencial.
          É de notar-se que os vários sistemas divergentes, surgidos na origem do Espiritismo, sobre a maneira de explicarem-se os fatos, foram desaparecendo à medida que a Doutrina se completou por meio da observação e de uma teoria racional. Hoje, raros partidários ainda contam esses primitivos sistemas. É este um fato notório, do qual se pode concluir que as últimas divergências se apagarão com a elucidação integral de todas as partes da Doutrina. Mas, haverá sempre os dissidentes, de ânimo prevenido e interessados, por um motivo ou outro, a constituir bando à parte. Contra a pretensão desses é que cumpre se premunam os demais.
          Para assegurar-se, no futuro, a unidade, uma condição se faz indispensável: que todas as partes do conjunto da Doutrina sejam determinadas com precisão e clareza, sem que coisa alguma fique imprecisa. Para isso, procedemos de maneira que os nossos escritos não se prestem a interpretações contraditórias e cuidaremos de que assim aconteça sempre. Quando for dito peremptoriamente e sem ambiguidade que dois e dois são quatro, ninguém poderá pretender que se quis dizer que dois e dois fazem cinco.
          Conseguintemente, seitas poderão formar-se ao lado da Doutrina, seitas que não lhe adotem os princípios ou todos os princípios, porém não dentro da Doutrina, por efeito de interpretação dos textos, como tantas se formaram sobre o sentido das próprias palavras do Evangelho. É este um primeiro ponto de capital importância.
          O segundo ponto está em não se sair do âmbito das ideias práticas. Se é certo que a utopia da véspera se torna muitas vezes a verdade do dia seguinte, deixemos que o dia seguinte realize a utopia da véspera, porém não atravanquemos a Doutrina de princípios que possam ser considerados quiméricos e fazer que a repilam os homens positivos.
          O terceiro ponto, enfim, é inerente ao caráter essencialmente progressivo da Doutrina. Pelo fato de ela não se embalar com sonhos irrealizáveis, não se segue que se imobilize no presente. Apoiada tão-só nas leis da Natureza, não pode variar mais do que estas leis; mas, se uma nova lei for descoberta, tem ela que se pôr de acordo com essa lei. Não lhe cabe fechar a porta a nenhum progresso, sob pena de se suicidar. Assimilando todas as ideias reconhecidamente justas, de qualquer ordem que sejam, físicas ou metafísicas, ela jamais será ultrapassada, constituindo isso uma das principais garantias da sua perpetuidade.

terça-feira, 1 de julho de 2014

O Que é o Espiritismo: Capitulo 1 Segundo Dialogo "Espiritismo e Espiritualismo"

1- Qual a diferença entre Espírita e Espiritualista?

Espiritualismo: Doutrina filosófica que admite a existência de Deus e da Alma. Contrapõe-se ao Materialismo, que só admite a matéria.

Espiritismo: Doutrina filosófica também espiritualista, mas que se diferencia das outras correntes filosóficas por ter características bem definidas.

É muito comum afirmar-se que ser espiritualista é a mesma coisa que ser espírita ou espiritista. Aqueles que assim pensam dão prova de que desconhecem os fundamentos da Doutrina Espírita. Há outros que, ao serem interrogados sobre a religião a que pertencem, embora sejam espíritas militantes, vacilam e dão esta resposta: Sou espiritualista.
De duas uma: ou respondem assim porque desconhecem a diferença que há entre a Doutrina Espírita e as doutrinas espiritualistas, ou porque temem confessar a qualidade de espírita convicto. Acham que, afirmando serem espiritualistas, eximem-se de quaisquer responsabilidades, no tocante à religião, diante da sociedade a que pertencem. É a isto que se chama "covardia moral".
É preciso que se saiba que "todo espírita é necessariamente espiritualista, mas nem todos os espiritualistas são espíritas".
Embora seja a Doutrina Espírita uma doutrina espiritualista, por excelência, é necessário fazer-se distinção das demais correntes espiritualistas.
Para exemplo, tomemos a Umbanda, seita muito divulgada no Brasil.
Será a Umbanda doutrina espiritualista?
Sim, é doutrina espiritualista, porquanto estabelece a comunicação entre os vivos e os chamados mortos, admitindo, consequentemente, a sobrevivência do Espírito após a morte do corpo físico; admite sua evolução através das vidas sucessivas e crê no resgate, pela dor, das faltas cometidas em existências anteriores.
Por essas características, não há dúvida alguma tratar-se a Umbanda de uma doutrina essencialmente espiritualista. Mas, por outro lado, será ela Doutrina Espírita ou Espiritismo?
Não. A Umbanda não pode ser considerada Doutrina Espírita porque admite cerimônias litúrgicas, entre elas a do casamento e a do batizado; é litólatra, porque adota nos seus trabalhos imagens dos chamados "santos" (a palavra litólatra vem de litolatria, que é a adoração das pedras), e é também fitólatra, porque faz uso de ervas para defumações, além de outros ritos (a palavra fitólatra vem do grego phyton "planta"; o segundo elemento, latra, provém do verbo grego latrein "adorar"). Mas o Espiritismo não tem ritos de espécie alguma.
Como se vê, por estas observações ficou demonstrada a diferença existente entre a Doutrina Espírita e uma das doutrinas espiritualistas, que é a Umbanda, doutrina esta que tem, face aos seus dogmas e ritos, bastante afinidade com o Catolicismo, também considerado espiritualista, porque admite a existência de Deus e de entidades espirituais que sobrevivem após a desencarnação.
fonte: ( http://www.espirito.org.br/portal/publicacoes/abc/cap01.html )

2- Como surgiu os termos espírita e espiritismo?

Essas palavras são inglesas e eram comumente empregadas nos Estados Unidos, desde que começaram a surgir as manifestações dos espíritos, no começo por algum tempo, também se serviram delas na França; logo, porem, que apareceram os termos espíritas, espiritismo, compreendeu-se a sua utilidade e foi imediatamente aceito pelo publico.
O termo Espiritismo foi cunhado por Kardec em 1857 para definir especificamente o corpo de ideias por ele reunidas e codificadas em "O Livro dos Espíritos". Na publicação do livro "O Que é o Espiritismo", o codificador a define como uma doutrina que trata da "natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal e as consequências morais que dela emanam", e fundamenta-se nas manifestações e nos ensinamentos dos espíritos. Também é compreendida como uma doutrina de cunho científico-filosófico-religioso voltada para o aperfeiçoamento moral do homem, que acredita na possibilidade de comunicação com os espíritos através de médiuns.

3- Qual a necessidade destes novos termos para a Doutrina Espírita?

Diz Kardec que:
“Para designar coisas novas são necessárias palavras novas; assim exige a clareza de uma língua, para evitar a confusão que ocorre quando uma palavra tem múltiplo sentido. As palavras espiritual, espiritualista, espiritualismo têm um significado bem definido, e acrescentar-lhes uma nova significação para aplicá-las à Doutrina dos Espíritos seria multiplicar os casos já tão numerosos de palavras com duplo sentido. De fato, o espiritualismo é o oposto do materialismo, e qualquer um que acredite ter em si algo além da matéria é espiritualista, embora isso não queira dizer que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo material. Em vez das palavras espiritual, espiritualismo, utilizamos, para designar a crença nos Espíritos, as palavras espírita e Espiritismo, que lembram a origem e têm em si a raiz e que, por isso mesmo, têm a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, reservando à palavra espiritualismo sua significação própria. Diremos que a Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípio a relação do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo espiritual. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas ou, se quiserem, os espiritistas.”
(Abertura da Introdução de "O Livro dos Espíritos")

Para as novas coisas são necessários termos novos, quando se quer evitar equívocos. Se eu tivesse dado à minha Revista a qualificação de espiritualista, não lhe teria especificado o objeto, porque, sem desmentir-lhe o título, bem poderia nada dizer nela sobre os Espíritos, e até combatê-los. Já há algum tempo, li num jornal, a propósito de uma obra filosófica, um artigo em que se dizia tê-la o autor escrito do ponto de vista espiritualista; ora, os partidários dos Espíritos ficariam singularmente desapontados se, confiantes nessa indicação, acreditassem encontrar alguma concordância entre o que ela ensina e as ideias por eles admitidas.
Se adotei os termos espírita, espiritismo, é porque eles exprimem, sem equívoco, as ideias relativas aos Espíritos.
(Livro "O que é o Espiritismo" parte Espiritismo e Espiritualismo)

O Que é o Espiritismo: Capitulo 1 - Segundo Dialogo: O Céptico.


1- Segundo Kardec, quais os ramos da ciência que se encontra o espiritismo? e exemplifique o por que

O espiritismo prende-se em todos os ramos da filosofia, da metafísica, da psicologia e da moral; é um campo imenso, que não pode ser percorrido em algumas horas.

Metafísica:
Conceito:
Ciência dos entes espirituais ou incorpóreos, das coisas abstratas, intelectuais. Doutrina da essência das coisas. Conhecimento das coisas primárias e dos primeiros princípios. Ciência primeira, por ter como objeto, o objeto de todas as outras ciências, e como princípio, um princípio que condiciona a validade de todos os outros.

Além da Matéria: A metafísica, no sentido de "tudo o que está além da matéria", coincide com o próprio desenrolar da filosofia. Observe que a filosofia surgiu como uma tentativa de explicar o mundo e sua origem a partir da razão e não por intermédio do oráculo, do mito. No mito a verdade é revelada pelos deuses; na metafísica ela deve ser buscada, achada com o recurso da razão, com o esforço do ser humano.

A Metafísica Espírita: Perscrutando O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, podemos construir o edifício metafísico do Espiritismo, porque ali vamos encontrar explicações sobre Deus, Espírito e Matéria, entre outros.

Teoria Espírita do Conhecimento: A maneira pela qual se adquire o conhecimento é de vital importância não só para a Filosofia como para todos nós. De acordo com a tradição filosófica, há duas formas de se apreender o conhecimento: 1ª) a platônica ou socrático-platônica, que envolve a questão da reminiscência das idéias (conhecemos pelo Espírito); 2ª) a sofística ou empírica, que se refere apenas aos nossos sentidos (conhecemos pelos sentidos). Daí, a pergunta: conhecemos pelo corpo ou pelo Espírito?
Para o Espiritismo, o homem é essencialmente um Espírito. O Espírito é a substância do homem e o corpo o seu acidente. Nesse caso, a percepção é uma faculdade do Espírito e não do corpo. É uma faculdade geral do Espírito que abrange todo o seu ser.

Filosofia:
O Espiritismo é Filosofia: O Espiritismo é uma filosofia porque dá uma coerente e exata interpretação da vida. Toda filosofia gera uma ética. Sua força está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom senso.
Como filosofia, o Espiritismo compreende todas as conseqüências morais que dimanam das relações que se estabelecem entre nós e os espíritos.
Toda doutrina que dá uma interpretação da vida, uma concepção própria do mundo, é uma filosofia. Neste aspecto, enquadra-se o estudo dos problemas da origem e destinação dos homens, bem como a existência de uma suprema inteligência, causa primeira de todas as coisas.
O Espiritismo é uma filosofia porque a partir dos fenômenos espirituais e dos fatos, dá uma interpretação da vida, explicando o porquê das dores, dos sofrimentos e das desigualdades entre as criaturas, e elucida as questões fundamentais da existência. Para todo efeito existe uma causa e esta causa pode estar nesta ou em vidas anteriores.

Psicologia:
A Psicologia Espírita não é apenas uma mera teoria adicional no campo da Psicologia, bem como não é mais um estilo terapêutico, mas uma expressão que se usa para uma vasta gama de saberes, idéias e concepções simbolizadas por um suposto espaço conectivo entre a Psicologia e o Espiritismo. Melhor dizendo, ela investiga o que há de comum e de distinto entre esta disciplina e a doutrina espírita.
Este campo da psicologia procura acompanhar o desenvolvimento da Ciência, absorvendo subsídios de todas as teorias psicológicas conquistadas ao longo do tempo, esforçando-se para empreender uma visão transdisciplinar, avançando um pouco mais, justamente por seu caráter holístico, que percebe o Homem integralmente. Ela tenta provar, através do método teórico-experimental, a presença de uma realidade espiritual no cerne da vida, em tudo que existe, além da existência da Divindade e de uma alma imortal, que traz em si uma bagagem composta das mais distintas vivências, adquiridas em vidas passadas. Assim é permitido a ela compreender a dor humana e suas causas, a ilusória disparidade das aflições, quem somos, entre outras questões existenciais profundas. E também perceber que todos percorrem uma jornada de aprendizado e desenvolvimento espiritual que atravessa o tempo e o espaço.

“O Ser real é constituído de corpo, mente e espírito. Dessa forma, uma abordagem psicológica para ser verdadeiramente eficaz deve ter uma visão holística do ser, tratando de seu corpo (físico e perispirítico), de sua mente (consciente, inconsciente e subconsciente) e de seu espírito imortal que traz consigo uma bagagem de experiências anteriores à presente existência e está caminhando para a perfeição Divina.” (Joanna de Ângelis)

Moral

É a regra do bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando faz tudo pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus
(KARDEC, A. O livro dos espíritos. Questão 629)

Conjunto de regras que constituem os bons costumes, a Moral consubstancia os princípios salutares de comportamento de que resultam o respeito ao próximo e a si mesmo.
Nobilitante comportamento com que [o homem] se liberta das constrições primitivas e se põe em sintonia com as vibrações sutis da Espiritualidade, para onde ruma na condição de Espírito imortal que é.
(Divaldo P. Franco, Estudos Espíritas. Pelo espírito Joanna de Ângelis. Cap.22)

"O bem é tudo que é conforme à lei de Deus, e o mal é tudo o que dela se afasta. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus, fazer o mal é infringir essa lei.”
(KARDEC, A. O livro dos espíritos.Questão 630.)


"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações"
(Allan Kardec)

2- Qual o conselho de Kardec para se adquirir melhor conhecimento da doutrina espírita?

A quem deseja instruir-se, direi: “Não se pode fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um de Física ou de Química, atento que nunca se é senhor de produzir os fenômenos espíritas à vontade, e que as inteligências desses agentes fazem, muitas vezes, frustrarem-se todas as nossas previsões. Aqueles que acidentalmente poderíeis ver, não apresentando nexo algum, nem ligação necessária, seriam pouco inteligíveis para vós.
“Instruí-vos primeiramente pela teoria, lede e meditai as obras que tratam dessa ciência; nelas aprendereis os princípios, encontrareis a descrição de todos os fenômenos, compreendereis a possibilidade deles pela explicação que elas vos darão, e, pela narrativa de grande número de fatos espontâneos de que pudestes ser testemunha sem os compreender, mas que vos voltarão à memória, vós vos fortificareis contra todas as dificuldades que possam surgir e formareis, desse modo, uma primeira convicção moral.
“Então, quando se vos apresentar a ocasião de observar ou operar pessoalmente, compreendereis, qualquer que seja a ordem em que os fatos se mostrem, porque nada vereis de estranho.”
Eis, meu caro senhor, o que aconselho a todos que dizem querer instruir-se, e, pela resposta que dão, é fácil conhecer se neles há alguma coisa mais que curiosidade!
Compreendeis que me seria materialmente impossível repetir de viva voz e a cada pessoa, em particular, tudo quanto tenho escrito sobre essa matéria, para uso geral.
Em prévia leitura cada qual encontrará, além disso, uma resposta à maior parte das questões que lhe venham à mente; essa leitura tem a dupla vantagem de evitar repetições inúteis e de provar um desejo sincero de instruir-se.
(O que é o Espiritismo pag. 64,65).

terça-feira, 24 de junho de 2014

O Que é o Espiritismo: Capitulo 1 - Primeiro dialogo: O Crítico



1°- Como Podemos enxergar os críticos na visão espírita?

Vemos nas pessoas criticas, a falta principalmente de fé e sua inconstância psicológica, pois em muitos momentos se vêem apontando sobre o espiritismo, ainda muitas vezes com a desculpa de uma curiosidade em entender do que se trata, porem, com suas idéias completamente formuladas, prontos a rebater qualquer argumento com seus pensamentos e frases pré moldadas, exigem explicações que mesmo se colocadas diante dos mesmos, não teriam a humildade de reconhecer que por trás do que vêem, existe algo maior.
Os críticos do espiritismo, tem como base apontar charlatões e fatos mentirosos, porem, nunca param pra se lembrar de pessoas comuns, que utilizando as suas mediunidades, doam seus tempos e energias na pratica do bem, sem esperar nada em troca, sejam recursos amoedados, ou favores pessoais, simplesmente agem pela vontade de praticar o bem e a caridade.
Os críticos, são simplesmente enxergados perante a espíritas esclarecidos e a espíritos de luz, como simples irmão necessitados de amparo e fé, e que em um dia com certeza abrirão seus olhos e perceberão quanto erro acumulam em julgar algo ou alguém. Como poderiam a mais tempo ter aberto seus corações e ter entregues suas almas a verdadeira caridade, seja em que caminho for, pois a critica é bem vinda somente quando visa o crescimento de cada um, aquela que trás de volta ao eixo do bem os companheiros que vão se perdendo mediante os caminhos da vida.
Já a critica ostensiva, agressiva e sem humildade, trás a tona o monstro do orgulho, onde a única importância reside no estar com a razão e de certa forma vencer com argumentos vazios a todos que se opõem contra seus ideais já pré concebidos.


2°-Como Kardec se portou diante ao visitante critico?

Ao observar as intenções do visitante, Kardec se põe em tranqüilidade e utiliza de seu conhecimento sobre a doutrina para exemplificar e aos poucos ir desmontando as certezas com as quais o Critico chegou ate ele.
Podemos perceber que o Critico já possuía suas idéias bem formadas, e não se interessava tanto em saber mais sobre a verdade, mas sim fazer com que Kardec caísse em algum erro ou contradição. Mas Kardec, não se abalou com as interrogativas, mostrando firmeza de pensamentos e certeza de suas idéias e estudos, desarmando assim qualquer tentativa de ataque mais serio.
Mostra-nos Kardec que quando temos um conhecimento verdadeiro, temos de usá-lo, com humildade e respeito, sem se por como superior a ninguém, e ter a certeza de que caminho estamos seguindo, o Mestre mostra que podem atacar de todos os lados, mas o espiritismo como uma ciência seria e verdadeira, não possui embaraços nem meias verdades, podendo assim ter sempre uma resposta plausível as maiores critica se indagações.


3- Qual era o objetivo do Critico com Kardec?

O critico tinha em mente encontrar alguma falha na doutrina ou mesmo em seu codificador, estava prestes a escrever um livro, que segundo ele, teria a capacidade de por em terra toda a doutrina, tendo em vista que se via completo opositor aos fenômenos da época, tratando a todos como mentirosos. Queria o critico, o direito de acompanhar Kardec em suas sessões particulares, para fim de "se convencer" de que havia verdade em todos os trabalhos, ao que Kardec prontamente o instruiu dizendo que ele mesmo, teve que acompanhar por um tempo pra que começasse a crer.
De todas as formas o visitante tentava impor a Kardec que tinha conhecimento sobre as mentiras do espiritismo, sempre acusando médiuns de charlatões e que Kardec tinha que convencer o critico do contrario, mostrando que seus julgamentos estavam equivocados.
Mas Kardec não se abalando, mostra em pequenas afirmações os erros deste visitante, que sem ter estudado a fundo sobre a doutrina, conhecendo sua base inicial, seria praticamente impossível que pudesse formar uma critica verdadeira, baseada em imparcialidade e conhecimento real. Mas acompanhando vemos que de fato, o critico já chegou com todas as suas idéias formadas, pronto a apontar em seu ponto de vista o que pra ele era mistificação.


4- Como Kardec usou a doutrina espírita em respostas aos argumentos científicos mostrados pelo critico?

O critico aponta uma duvida, se as mesas girantes não estariam de certa forma preparadas para produzir todos os efeitos da época, ao que Kardec mostra que o espiritismo é uma ciência seria e observadora, se fossem observados fatos enganosos nas experiências, os mesmos deveriam ser repudiados assim como aqueles que os praticam.
mostrando que se as mesas fossem preparadas, como ainda não era conhecido seu criador, pois o mesmo deveria ser muito famoso, ao ter seu invento divulgado pelos 4 cantos do mundo, e que por ser um processo sutil, como poderia ser aplicado a primeira mesa que se apresentasse, mostrando assim que o espiritismo serio, vem de pessoas de boa fé, que nada ganham com sua dedicação a causa, é uma ciência de observar os feitos, sempre lembrando que é preferível renegar dez verdades do que aceitar uma única mentira.
O critico então fala de um cirurgião que descobriu uma anomalia aonde um estalo no músculo da perna, seria capaz de se passar pelos estalidos das mesas, e que os médiuns assim se divertiam a custa da credulidade dos que ali assistiam.
Ao que Kardec, já mostra uma inconsistência nas afirmações do critico, que primeiro afirmava as mesas estarem preparadas, mas agora já admitia que uma anomalia que criava os sons vistos em sessões.
Usando de humildade e respeito, mostra Kardec que isso seria impossível, pois seria necessário muita vontade em enganar aos outros, mantendo o seu músculo estalando diversas vezes por duas ou três horas seguidas, e que este músculo deveria ter uma propriedade maravilhosa ao ter a capacidade de mover uma mesa pesada, abrir-la, mantê-la no ar sem apoio, e fazê-la despedaçar-se ao cair.
Assim Kardec mostra que um dos pontos principais da doutrina espírita não havia sido usada por este cirurgião, que é a observação séria dos fenômenos, e sem observação e conhecimento real sobre aquilo que julgas, é simplesmente impossível chegar a uma conclusão séria e verdadeira.
Diz Kardec: - Instrui-vos primeiramente pela teoria, conheça as obras que tratam dessa ciência, aprendendo os princípios encontraremos a descrição de todos os fenômenos, os compreenderemos, e ao observar futuramente nenhum fato se mostrará estranho, pois já compreendemos os fatos.

5- O que podemos aprender com o critico e com Kardec sobre esta passagem?

Aprendemos que a critica é uma parte do homem que possui dois lados distintos, uma é o lado bom, aonde as criticas positivas buscam o aperfeiçoamento e evolução de ambas as partes no assunto em questão e se faz presente, auxiliando, sem julgamentos pré concebidos e fazendo com que assim, não haja ofensas ou recriminações sobre idéias e atos.
O lado negativo se instala quando temos uma idéia formada sobre um assunto e a única vontade é desmoralizar e trazer em ruínas o trabalho ou mesmo a honra daquele que as criticas são dirigidas. Vemos que o Critico, já chegava com suas idéias antes mesmo construídas de que Kardec tinha o dever de lhe provar que não estava enganado, que todas as manifestações eram reais e não simples charlatanismo, quando temos uma critica neste ponto, simplesmente trazemos em igualdade todas as pessoas, como se todos possuíssemos o mesmo caráter ou evolução, mas não, as pessoas são diferentes, em todos os meios podem haver enganadores, mas há também muitos que trilham o caminho do bem, buscando apenas realizar seus trabalhos e ajudar a tantos a crescer e se esclarecer, e quando dirigimos criticas, sem levar em conta a boa fé alheia, ou não damos a nós mesmos a chance de pensar no outro lado, sempre pensaremos ser donos da razão, colocamos a nossa humildade de lado, e as vezes por mais absurda que uma testemunha possa dar uma demonstração de erro, acreditamos nesta testemunha e a utilizamos como base para nossa critica.
Kardec por outro lado, usando de humildade e respeito, mostrou que quando estamos certos de nosso conhecimento e das bases reais, não há o por que temer as criticas, simplesmente devemos enxergá-las e dar a chance de analisá-las, com a mente aberta, vendo que se nesta critica reside apenas a vontade negativa, ao critico deve ser mostrado seu engano, mesmo que no momento aquilo não vá dissuadi-lo de seu erro no ponto de vista, ao menos o desarmará para um ataque futuro, aonde suas "armas" já não serão mais úteis, pois já haverá caído por terra seus argumentos.
Mostra sutilmente que o estudo é precioso e necessário a cada um que realmente tem a intenção de aprender sobre a doutrina, não por mera curiosidade, mas sim pela vontade interior de mudança em seus parâmetros e pensamentos, e que a critica é somente um método de testarmos a nós mesmos o quanto estamos preparados para as criticas dirigidas contra nós, e se realmente estamos no caminho certo em nossos estudos e metas.

Livro "O Que é o Espiritismo"



Amigos, a partir de agora daremos inicio aos nossos estudos das obras básicas da doutrina espirita.
Acima os amigos podem acompanhar no link, o livro O Que é o Espiritismo, aonde esta todo o conteúdo abordado em nosso estudo.
Portanto sempre leiam quando tiverem possibilidade para que juntos possamos ter um desenvolvimento mais completo.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Biografia de Allan Kardec



1° Quem foi Allan Kardec?

O Fundador da Doutrina espírita tinha como nome real, Hippolyte-Léon-Denizard Rivail, Nascido em Lyon, a 3 de outubro de 1804, de uma antiga família que se distinguiu na magistratura e na advocacia, Desde sua primeira juventude, sentia-se atraído para o estudo das ciências e da filosofia.

Educado na Escola de Pestalozzi, em Yverdum (Suíça), Era Dotado de uma inteligência notável e atraído para o ensino pelo seu caráter e as suas aptidões especiais. Foi nessa escola que se desenvolveram as idéias que deveriam, mais tarde, colocá-lo na classe dos homens de progresso e dos livres pensadores.

Nascido na religião católica, mas estudante em um país protestante, os atos de intolerância que ele teve que sofrer a esse respeito, lhe fizeram, em boa hora, conceber a idéia de uma reforma religiosa, na qual trabalhou no silêncio durante longos anos, com o pensamento de chegar à unificação das crenças; mas lhe faltava o elemento indispensável para a solução desse grande problema.

O Espiritismo veio mais tarde lhe fornecer e imprimir uma direção especial aos seus trabalhos.

Entre as suas numerosas obras de educação, citaremos as seguintes: Plano proposto para a melhoria da instrução pública (1828); Curso prático e teórico de aritmética, segundo o método de Pestalozzi, para uso dos professores primários e das mães de família (1829), etc.

Era bacharel em letras e em ciências e doutor em medicina, tendo feito todos os estudos médicos e defendido brilhantemente sua tese. Lingüista nato, conhecia a fundo e falava corretamente o alemão, o inglês, o italiano e o espanhol; conhecia também o holandês, e podia facilmente exprimir-se nesta língua.

Denizard Rivail era um alto e belo rapaz, de maneiras distintas, humor jovial na intimidade, bom e atencioso.

Tendo o alistamento incluído para o serviço militar, ele obteve isenção e, dois anos depois, veio fundar em Paris, à rua de Sèvres n.° 35, um estabelecimento semelhante ao de Yverdun.

No mundo das letras e do ensino, que freqüentava em Paris, Denizard Rivail encontrou a senhorita Amélia Boudet, professora com diploma de 1.ª classe. Pequena, mas bem proporcionada, gentil e graciosa, rica por seus pais e filha única, inteligente e viva, ela soube por seu sorriso e qualidades fazer-se notar pelo Sr. Rivail, em quem viu, sob a franca e comunicativa alegria do homem amável, o pensador sábio e profundo, que aliava grande dignidade à mais extrema cortesia.

A senhorita Amélia Boudet tinha, pois, mais nove anos que o Sr. Rivail, mas na aparência dir-se-ia ter menos dez que ele, quando, em 6 de fevereiro de 1832, se firmou em Paris o contrato de casamento de Hippolyte-Léon-Denizard Rivail.

Foi em 1854 que o Sr Rivail, ouviu pela primeira vez das mesas girantes, a principio do Sr. Fortier, o magnetizador, com o qual mantinha relações, em razão de seus estudos sobre magnetismo.

O Sr. Fortier, lhe disse um dia: "Eis aqui uma coisa que é bem mais extraordinária: não somente se faz girar uma mesa, magnetizando-a, mas também se pode fazer-la falar. Interroga-se, e ela responde." - Isso, replicou o Sr. Rivail, é uma outra questão; Eu acreditarei quando vir, e quando me tiverem provado que uma mesa tem cérebro pra pensar, nervos para sentir, e que se pode tornar sonâmbula. Até lá, permita me que não veja nisso senão uma fabula para provocar o sono.

2° Como começou a Doutrina espírita, segundo Kardec?

Por volta de 1855, desde que duvidou das manifestações dos Espíritos, o Sr. Allan Kardec entregou-se a observações perseverantes sobre esse fenômeno, e se empenhou principalmente em deduzir-lhe as conseqüências filosóficas. Nele entreviu, desde o início, o princípio de novas leis naturais; as que regem as relações do mundo visível e do mundo invisível; reconheceu na ação deste último uma das forças da Natureza, cujo conhecimento deveria lançar luz sobre uma multidão de problemas reputados insolúveis, e compreendeu-lhe a importância do ponto de vista religioso.

Em maio de 1855, esteve Kardec em casa da sonâmbula Sra. Roger, com o Sr. Fortier, seu magnetizador. Lá encontrou o Sr. Partier e a Sra. Plainemaison, que falaram-lhe destes fenômenos, mas noutro tom. O Sr Partier, era funcionário publico, de certa idade, homem muito instruído, de caráter grave, frio e calmo; sua linguagem pausada, isenta de todo entusiasmo, produziu em Kardec via expressão, e, quando ele o convidou para assistir as experiências que se realizava em casa da Sra Plainemaison, na rua Grange-Batelière n°18, e Kardec aceitou com solicitude.

A entrevista foi marcada para uma terça feira de maio as 20 horas.

"Foi ai, pela primeira vez, que Kardec testemunhou, o fenômeno das mesas girantes, que saltavam e corriam, e isso em condições tais que a duvida não era possível."

"Ai viu também, alguns ensaios muito imperfeitos de escrita mediúnica em uma ardósia com auxilio de uma cesta.

Suas idéias estavam longe de se haver modificado, mas naquilo, havia um efeito, que deveria ter uma causa. Entrevi, sob essas aparentes futilidades e a espécie de divertimento que com esses fenômenos se fazia, alguma coisa de sério e como que a revelação de uma nova lei, que a mim mesmo prometi aprofundar.

“A ocasião se me ofereceu e pude observar mais atentamente do que tinha podido fazer. Em um dos serões da Sra. Plainemaison, fiz conhecimento com a família Baudin, que morava então à rua Rochechouart. O Sr. Baudin fez-me oferecimento no sentido de assistir às sessões semanais que aconteciam em sua casa, e às quais eu fui, desde esse momento, muito assíduo.

“Foi aí que fiz os meus primeiros estudos sérios em Espiritismo, menos ainda por efeito de revelações que por observação. Apliquei a essa nova ciência, como até então o tinha feito, o método da experimentação; nunca formulei teorias preconcebidas; observava atentamente, comparava, deduzia as conseqüências; dos efeitos procurava remontar às causas pela dedução, pelo encadeamento lógico dos fatos, não admitindo como válida uma explicação, senão quando ela podia resolver todas as dificuldades da questão.

“Um dos primeiros resultados das minhas observações foi que os Espíritos, não sendo senão as almas dos homens, não tinham nem a soberana sabedoria, nem a soberana ciência; que o seu saber era limitado ao grau do seu adiantamento, e que a sua opinião não tinha senão o valor de uma opinião pessoal. Esta verdade, reconhecida desde o começo, evitou-me o grave risco de crer na sua infalibilidade e preservou-me de formular teorias prematuras sobre a opinião de um só ou de alguns.

“Só o fato da comunicação com os Espíritos, o que quer que eles pudessem dizer, provava a existência de um mundo invisível ambiente; era já um ponto capital, um imenso campo franqueado às nossas explorações, a chave de uma multidão de fenômenos inexplicados. O segundo ponto, não menos importante, era conhecer o estado desse mundo e seus costumes, se assim nos podemos exprimir. Cedo, observei que cada Espírito, em razão de sua posição pessoal e de seus conhecimentos, desvendava-me uma fase desse mundo, exatamente como se chega a conhecer o estado de um pais interrogando os habitantes de todas as classes e condições, podendo cada qual nos ensinar alguma coisa e nenhum deles podendo, individualmente, ensinar-nos tudo. Cumpre ao observador formar o conjunto, com o auxílio dos documentos recolhidos de diferentes lados, colecionados, coordenados e confrontados entre si. Eu, pois, agi com os Espíritos como o teria feito com os homens: eles foram, para mim, desde o menor até o mais elevado, meios de colher informações e não reveladores predestinados.”

Uma noite, seu Espírito protetor, Z., deu-lhe, por um médium, uma comunicação toda pessoal, na qual lhe dizia, entre outras coisas, tê-lo conhecido em uma precedente existência, quando, ao tempo dos Druidas, viviam juntos nas Gálias. Ele se chamava, então, Allan Kardec e, como a amizade que lhe havia votado só fazia aumentar, prometia-lhe esse Espírito secundá-lo na tarefa muito importante a que ele era chamado, e que facilmente levaria a termo.

O Sr. Rivail, pois, lançou-se à obra: tomou os cadernos, anotou-os com cuidado. Após atenta leitura, suprimiu as repetições e pôs na respectiva ordem cada ditado, cada relatório de sessão; assinalou as lacunas a preencher, as obscuridades a aclarar, e preparou as perguntas necessárias para chegar a esse resultado.

“Até então, diz ele próprio, as sessões em casa do Sr. Baudin não tinham nenhum fim determinado; propus-me, aí, fazer resolver os problemas que me interessavam sob o ponto de vista da filosofia, da psicologia e da natureza do mundo invisível.

Comparecia a cada sessão com uma série de questões preparadas e metodicamente dispostas: eram respondidas com precisão, profundeza e de modo lógico. Desde esse momento as reuniões tiveram caráter muito diferente, e, entre os assistentes, encontravam-se pessoas sérias que tomaram vivo interesse pelo trabalho. Se me acontecia faltar, ficavam as sessões como que

tolhidas, tendo as questões fúteis perdido o atrativo para o maior número. A princípio eu não tinha em vista senão a minha própria instrução; mais tarde, quando vi que tudo aquilo formava um conjunto e tomava as proporções de uma doutrina, tive o pensamento de o publicar, para instrução de todos. Foram essas mesmas questões que, sucessivamente desenvolvidas e completadas, fizeram a base de O Livro dos Espíritos.”

A maneira por que o livro fora escrito era também inteiramente nova. O Prof. Denizard Hippolyte Léon Rivail fizera as perguntas que eram respondidas pelos Espíritos, sob a direção do Espírito de Verdade, através das cestinhas-de-bico. Psicografia indireta.

3° Quais foram os primeiros médiuns a trabalhar com Kardec?

Os médiuns, duas meninas, Caroline Baudin, de 16 anos, e Julie Baudin, de 14, colocavam as mãos nas bordas da cesta e o lápis (o bico) escrevia numa lousa. Pelo mesmo processo, o livro dos espíritos, foi revisado pelo Espírito de Verdade, através de outra menina, a Srtª Japhet.

Em 1856, o Sr. Rivail freqüentou as reuniões espíritas que se realizavam à rua Tiquetone, em casa do Sr. Roustan, com Mlle. Japhet, sonâmbula, que obtinha como médium comunicações muito interessantes, com o auxílio da cesta aguçada; fez examinar por esse médium as comunicações obtidas e postas precedentemente em ordem. Esse trabalho foi efetuado, a princípio, nas sessões ordinárias; mas a pedido dos Espíritos, e para que fosse consagrado mais cuidado, mais atenção a esse exame, foi continuado em sessões particulares.

“Não me contentei com essa verificação, diz ainda Allan Kardec, que os Espíritos me haviam recomendado. Tendo-me as circunstâncias posto em relação com outros médiuns, toda vez que se oferecia ocasião, eu a aproveitava para propor algumas das questões que me pareciam mais melindrosas. Foi assim que mais de dez médiuns prestaram seu concurso a esse trabalho.

4° Como foi o Inicio dos Trabalhos de Kardec?

No dia 25 de março de 1856 estava Allan Kardec em seu gabinete de trabalho, em via de compulsar as comunicações e preparar O Livro dos Espíritos, quando ouviu ressoarem pancadas repetidas no tabique; procurou, sem descobrir, a causa disso, e em seguida tornou a pôr mãos à obra. Sua mulher, entrando cerca das dez horas, ouviu os mesmos ruídos; procuraram, mas sem resultado, de onde podiam eles provir. Moravam, então, à rua dos Mártires n.° 8, no segundo andar, ao fundo.
“No dia seguinte, sendo dia de sessões em casa do Sr. Baudin, escreve Allan Kardec, contei o fato e pedi a explicação dele.

Pergunta: — Ouvistes o fato que acabo de narrar; podereis dizer-me a causa dessas pancadas que se fizeram ouvir com tanta insistência?

Resposta: — Era o teu Espírito familiar.

P. — Com que fim, vinha ele bater assim?

R. — Queria comunicar-se contigo.

P. — Podereis dizer-me o que queria ele?

R. — Podes perguntar a ele mesmo, porque está aqui.

P. — Meu Espírito familiar, quem quer que sejais, agradeço-vos terdes vindo visitar-me. Quereis ter a bondade de dizer-me quem sois?

R. — Para ti chamar-me-ei a Verdade, e todos os meses, durante um quarto de hora, estarei aqui, à tua disposição.

P. — Ontem, quando batestes, enquanto eu trabalhava, tínheis alguma coisa de particular a dizer-me?

R. — O que eu tinha a dizer-te era sobre o trabalho que fazias; o que escrevias me desagradava e eu queria fazer-te parar.

NOTA — O que eu escrevia era precisamente relativo aos estudos que fazia sobre os Espíritos e suas manifestações.

P. — A vossa desaprovação versava sobre o capítulo que eu escrevia, ou sobre o conjunto do trabalho?

R. — Sobre o capítulo de ontem: faço-te juiz dele. Torna a lê-lo esta noite; reconhecer-lhe-ás os erros e os corrigirás.

P. — Eu mesmo não estava muito satisfeito com esse capítulo e o refiz hoje. Está melhor?

R. — Está melhor, mas não muito bom. Lê da terceira à trigésima linha e reconhecerás um grave erro.

P. — Rasguei o que tinha feito ontem.

R. — Não importa. Essa inutilizarão não impede que subsista o erro. Relê e verás.

P. — O nome de Verdade que tomais é uma alusão à verdade que procuro?

R. — Talvez, ou, pelo menos, é um guia que te há de auxiliar e proteger.

P. — Posso evocar-vos em minha casa?

R. — Sim, para que eu te assista pelo pensamento; mas, quanto a respostas escritas em tua casa, não será tão cedo que as poderás obter.

P. — Podereis vir mais freqüentemente que todos os meses?

R. — Sim; mas não prometo senão uma vez por mês, até nova ordem.

P. — Animastes alguma personagem conhecida na Terra?

R. — Disse-te que para ti eu era a Verdade, o que da tua parte devia importar discrição; não saberás mais que isto.”

De volta a casa, Allan Kardec apressou-se a reler o que escrevera e pôde verificar o grave erro que com efeito havia cometido. A dilação de um mês, fixada para cada comunicação do Espírito Verdade, raramente foi observada.

Ele se manifestou freqüentemente a Allan Kardec, mas não em sua casa, onde durante cerca de um ano não pôde este receber nenhuma comunicação por médium algum e, cada vez que ele esperava obter alguma coisa, era obstado por uma causa qualquer e imprevista, que a isso se vinha opor.

Foi a 30 de abril de 1856, em casa do Sr. Roustan, pela médium Mlle. Japhet, que Allan Kardec recebeu a primeira revelação da missão que tinha a desempenhar. Esse aviso, a princípio muito vago, foi precisado no dia 12 de junho de 1856, por intermédio de Mlle. Aline C., médium. A 6 de maio de 1857, a Sra. Cardone, pela inspeção das linhas da mão de Allan Kardec, confirmou as duas comunicações precedentes, que ela ignorava. Finalmente, a 12 de abril de 1860, em casa do Sr. Dehan, sendo intermediário o Sr. Croset, médium, essa missão foi novamente confirmada em uma comunicação espontânea, obtida na ausência de Allan Kardec.

Assim, também, se deu a respeito do seu pseudônimo. Numerosas comunicações, procedentes dos mais diversos pontos, vieram reafirmar e corroborar a primeira comunicação obtida a esse respeito.

Urgido pelos acontecimentos e pelos documentos que tinha em seu poder, Allan Kardec formara, em razão do êxito de O Livro dos Espíritos, o projeto de criar um jornal espírita.

Havia-se dirigido ao Sr. Tiedeman, para solicitar-lhe o concurso pecuniário, mas este não estava resolvido a tomar parte nessa empresa. Allan Kardec perguntou aos seus guias, no dia 15 de novembro de 1857, por intermédio da Srta. E. Dufaux, o que deveria fazer. Foi-lhe respondido que pusesse a sua idéia em execução e que não se inquietasse com o resto.

No dia 1° de janeiro de 1858, Allan Kardec Lançou a primeira edição da revista espírita que viria a se tornar uma grande auxiliar para sua tarefa.

À medida, porém, que a lide se tornava mais áspera, esse enérgico trabalhador se elevava, também, à altura dos acontecimentos, que nunca o surpreenderam, e durante onze anos, nessa Revista espírita que começou tão modestamente, sem nenhum assinante ou sócio capitalista, ele enfrentou todas as tempestades que se impunham em seu caminho.
Médium, Mlle. Aline C. — 12 de junho de 1856:

P. — Quais são as causas que me poderiam fazer fracassar? Seria a insuficiência das minhas aptidões?

R. — Não; mas a missão dos reformadores é cheia de riscos e perigos; a tua é rude; previno-te, porque é ao mundo inteiro que se trata de agitar e de transformar. Não creias que te seja suficiente publicar um livro, dois livros, dez livros, e ficares tranquilamente em tua casa; não, é preciso te mostrares no conflito; contra ti se açularão terríveis ódios, implacáveis inimigos tramarão a tua perda; estarás exposto à calúnia, à traição, mesmo daqueles que te parecerão mais dedicados; as tuas melhores instruções serão impugnadas e desnaturadas; sucumbirás mais de uma vez ao peso da fadiga; em uma palavra, é uma luta quase constante que terás de sustentar com o sacrifício do teu repouso, da tua tranqüilidade, da tua saúde e mesmo da tua vida, porque tu não viverás muito tempo.

Pois bem. Mais de um recua quando, em lugar de uma vereda florida, não encontra sob seus passos senão espinhos, agudas pedras e serpentes. Para tais missões não basta a inteligência. É preciso antes de tudo, para agradar a Deus, humildade, modéstia, desinteresse, porque abatem os orgulhosos e os presunçosos. Para lutar contra os homens, é necessário coragem, perseverança e firmeza inquebrantáveis; é preciso, também, ter prudência e tato para conduzir as coisas a propósito e não comprometer-lhes o êxito por medidas ou palavras intempestivas; é preciso, enfim, devotamento, abnegação, e estar pronto para todos os sacrifícios.
“Vês que a tua missão está subordinada a condições que dependem de ti. Espírito Verdade.”

5° Quais os principais problemas que Kardec enfrentou?

A questão se tornava complexa porque a tradição espiritualista, cristalizada nos dogmas das igrejas, repelia como herética e profanadora a aplicação da pesquisa científica aos problemas espirituais. Kardec enfrentou a questão com extraordinária cora­gem. Enfrentou sozinho, sem o apoio de nenhum poder terreno, todo o poderio religioso da época. Teve então de co­locar-se entre os fogos cruzados da Religião, da Filosofia e da Ciência. Os teólogos o atacavam na defesa de seus dogmas, a Filosofia o considerava um intruso e a Ciência o con­denava como um reativador de superstições que ela já havia praticamente destruído. A vitória de Kardec definiu-se bem cedo. A Ciência Psíquica Inglesa, a Parapsicologia Alemã e a Metapsíquica Francesa nasceram da sua coragem e das suas pesquisas. Mais de cem anos depois, Rhine e Mac Dougal fundariam nos Estados Unidos a Parapsicologia moderna, seguindo a mesma orientação metodológica de Kardec. E a sua vitória se confirmou plenamente em nossos dias, quando as pesquisas parapsicológicas endossaram as conclusões de Kardec e logo mais a própria Física e a Biologia fizeram o mesmo. A palavra paranormal, criada por Frederic Myers e hoje adotada na Parapsicologia, substituiu em definitivo, no campo científico, a classificação errônea de sobrenatural dada aos fenômenos espirituais.

NOTA (É Allan Kardec que assim se exprime): “Escrevo esta nota no dia 1º de janeiro de 1867, dez anos e meio depois que esta comunicação me foi dada, e verifico que ela se realizou em todos os pontos, porque experimentei todas as vicissitudes que nela me foram anunciadas. Tenho sido alvo do ódio de implacáveis inimigos, da injúria, da calúnia, da inveja e do ciúme; têm sido publicados contra mim infames acusações; as minhas melhores instruções têm sido desnaturadas; tenho sido traído por aqueles em quem depositara confiança, e pago com a ingratidão por aqueles a quem tinha prestado serviços. A Sociedade de Paris tem sido um continuo foco de intrigas, urdidas por aqueles que se diziam a meu favor, e que, mostrando-se amáveis em minha presença, me difamavam na ausência. Disseram que aqueles que adotavam o meu partido eram assalariados por mim com o dinheiro que eu arrecadava do Espiritismo. Não mais tenho conhecido o repouso; mais de uma vez, sucumbi; sob o excesso do trabalho, tem-se-me alterado a saúde e comprometido a vida. “Entretanto, graças à proteção e à assistência dos bons Espíritos, que sem cessar me têm dado provas manifestas de sua solicitude, sou feliz em reconhecer que não tenho experimentado um único instante de desfalecimento nem de desanimo, e que tenho constantemente prosseguido na minha tarefa com o mesmo ardor, sem me preocupar com a malevolência de que era alvo. Segundo a comunicação do Espírito Verdade, eu devia contar com tudo isso, e tudo aconteceu.”

6° Como se Deu o Desencarne de Kardec?

Os admiráveis êxitos do Espiritismo, seu desenvolvimento quase incrível, criaram-lhe inúmeros inimigos e, à proporção que ele se foi engrandecendo, aumentou, também, a tarefa de Allan Kardec. O Mestre possuía uma vontade de ferro, um poder de combatividade extraordinários, era um trabalhador infatigável; de pé, em qualquer estação, desde às 4 horas e meia, respondia a tudo, às polêmicas veementes dirigidas contra o Espiritismo, contra ele próprio, às numerosas correspondências que lhe eram dirigidas; atendia à direção da Revista Espírita e da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, à organização do Espiritismo e ao preparo das suas obras.

Esse excesso físico e intelectual esgotou-lhe o organismo, e repetidas vezes os Espíritos precisam chamá-lo à ordem, a fim de obrigá-lo a poupar a saúde. Ele, porém, sabe que não deve durar mais que uns dez anos ainda: numerosas comunicações o preveniram desse termo e lhe anunciaram mesmo que a sua tarefa não seria concluída senão em nova existência, que sucederia a breve trecho à sua próxima desencarnação; por isso ele não quer perder ocasião alguma de dar ao Espiritismo tudo o que pode, em força e vitalidade.

Allan Kardec, cujo contrato de arrendamento na passagem Sant'Ana estava quase a terminar, contava retirar-se para a Vila Ségur, a fim de trabalhar mais ativamente nas obras que lhe restava fazer e cujo plano e documentos se achavam já reunidos. Estava, pois, em todos os preparativos de mudança de domicílio, quando a 31 de março a doença de coração que o minava surdamente pôs termo à sua robusta constituição e, como um raio, o arrebatou à afeição dos seus discípulos. Essa perda foi imensa para o Espiritismo, que via desaparecer o seu fundador e mais poderoso propagandista, e lançou em profunda consternação todos os que o haviam conhecido e amado.

Hippolyte-Léon-Denizard Rivail — Allan Kardec — faleceu em Paris, rua e passagem Sant'Ana, 59, 2.ª circunscrição e Mairie de la Banque, em 31 de março de 1869, na idade de 65 anos, sucumbindo da ruptura de um aneurisma. Unânimes sentimentos acolheram a dolorosa notícia, e numerosíssima concorrência acompanhou ao Père Lachaise , sua derradeira morada, os despojos mortais daquele que fora Allan Kardec, daquele que, através dos tempos, brilhará como um meteoro fulgurante na aurora do Espiritismo.

Morreu conforme viveu: trabalhando. Sofria, desde longos anos, de uma enfermidade do coração, que só podia ser combatida por meio de repouso intelectual e pequena atividade material. Consagrando, porem, todo inteiro a sua obra, recusava-se a tudo o que pudesse absorver um só que fosse de seus instantes, a custa das suas ocupações prediletas. Deu-se com ele o que se dá com todas as almas de forte têmpera: a lamina gastou a bainha.

7° Como ficou a doutrina após seu desencarne?

Com a desencarnação de Kardec, um de seus colaboradores, Pierre Gaetan Leymarie, passou a exercer as funções de redator-chefe da revista espírita, (1870 a 1901), e gerente na livraria espírita (1870 a 1897).  No entanto, sem as mesmas credenciais do Codificador e por seu excessivo espírito de tolerância, não foi capaz de obstruir a ação de pseudo-adeptos que desvirtuaram a finalidade da revista, abrindo suas paginas a propagandas de filosofias espiritualistas, inclusive as idéias de Roustaing, que divergem do espiritismo, ouve, ao mesmo tempo, o desvirtuamento das finalidades da revista espírita, em que foi oferecido "terreno livre a lutadores de todas as correntes com a condição de que defendessem causas espiritualistas ou de ordem essencialmente humanitária e moral, expondo-se assim as criticas acirradas de uns, as acusações ou descontentamentos de outros..."

Conforme conta na obra, processo dos espíritas. Nesses "lutadores de todas as correntes" incluíam-se adeptos do orientalismo, como teosofistas, budistas, ocultistas, esotéricos etc. .. como consta da obra de Allan Kardec.

Esta é portanto a causa do desaparecimento do espiritismo na frança.o sincretismo, a miscelânea do espiritismo com outras correntes espiritualistas, desfigurando por completo a pratica espírita, que ate hoje é confundida, na França e em praticamente toda a Europa, com toda sorte de superstições, como astrologia, quiromancia, feitiçaria, bruxaria, etc.

8- Quais os principais Dogmas da doutrina espírita codificada por Kardec?

Os dogmas são verdades absolutas que não permitem a discussão. Não discutir algo é não descobrir sobre esse algo, é viver a sua sombra sem saber se trata-se de uma verdade ou uma mentira. E como podemos viver assim hoje, se Kardec nos ensinou a dialética?

No espiritismo, não deveriam haver dogmas, pois os espíritos superiores, sempre nos informaram da liberdade de pensamentos, de reflexão sobre verdades e fatos a nós direcionados, fazendo com que nunca uma verdade seja absoluta. Kardec nos deixou inspirações para prosseguirmos em nossos estudos e na aplicação diária de nosso crescimento espiritual. portanto, dogmas tem que ser deixados de lado, o estudo tem que ser serio, e a atitude moral tem que ser aperfeiçoada dia a dia para que cheguemos a nos conhecer e atuar no mundo trazendo boas sementes de paz aos que nos rogam por caridade.

"Em vez do apostolado: fora da igreja não há salvação, que alimenta a separação e animosidade entre as diferentes seitas religiosas, e que há feito correr tanto sangue, o espiritismo tem como divisa: fora da CARIDADE, não há salvação, isso é, a igualdade dos homens perante Deus, a tolerância, a liberdade de Consciência e a benevolência mutua. Em vez da fé cega, que anula a liberdade de pensar, ele diz: não há fé inabalável, senão a que pode encarar face a face a razão, em todas as épocas da humanidade.

A fé , uma base se faz necessária e essa base é a inteligência perfeita daquilo em que se tem de crer. Para crer, não basta ver, é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega já não é para este século. E precisamente por causa do dogma da fé cega, que se deve hoje, o tão grande numero de incrédulos, por que ela quer impor-se e exigir abolição de uma das mais preciosas faculdades do homem: o raciocínio e o livre arbítrio."



Algumas frases celebres de Kardec:

Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.

Os homens semeiam na terra o que colherão na vida espiritual: os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza.

A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros.

"Honrar o pai e a mãe não é somente respeitá-los, mas também assisti-los nas suas necessidades; proporcionar-lhes o repouso na velhice; cercá-los de solicitude, como eles fizeram por nós na infância."

O egoísmo, o orgulho, a vaidade, a ambição, a cupidez, o ódio,a inveja, o ciúme, a maledicência são para a alma ervas venenosas das quais é preciso a cada dia arrancar algumas hastes, e que têm como contraveneno: a caridade e a humildade.

Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.

Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar as más inclinações

Sede pacientes; a paciência também é uma caridade, e deveis praticar a lei de caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus.

Os bons espíritos simpatizam com os homens de bem, ou suscetíveis de se melhorar. Os espíritos inferiores,simpatizam com os homens viciosos ou que podem viciar-se. Daí seu apego, resultante da semelhança de sensações.

"Espíritas: amai-vos, eis o primeiro mandamento; instruí-vos, eis o segundo". Esta frase ditada pelo Espírito de Verdade, em Paris, 1960 (cap. VI, item 5 do Evangelho Segundo o Espiritismo*)