Nos dias de hoje, vivemos em meio a correria de nossas vidas, em busca de realizações, muitas vezes materiais, muitas vezes sentimentais, mas nos esquecemos geralmente da mais importante das conquistas que é a espiritual, pois em verdade, somos espíritos eternos que daqui desta terra levarão apenas os ensinamentos que conseguiram adquirir, e as sementes do bem que deixaram plantadas para germinarem nas mãos daqueles que os sucederão, ate seu retorno a este ou outro plano carnal.
Temos muitas vezes a oportunidade de descobrir o que ocorre em nossas vidas, onde jaz um sentido oculto sobre as dificuldades, os problemas as vezes sem solução, e muitas vezes apenas olhamos pros céus esperando que Deus olhe por nós e nos traga a resposta, ou a cura que tanto esperamos. mas Jesus deixou-nos claro, que cada um é senhor de sua consciência, é responsável por aquilo que cativará, e nos dias de hoje, sem buscar uma real instrução, o que somos nós? apenas barcos a deriva neste mundo de provas cada vez mais difíceis, e sozinhos nunca conseguiremos ancorar nossas vidas em um porto seguro.
Tenho ouvido muita incredulidade mediante aos ensinos espíritas, pois o mesmo tem se perdido em meio ao tempo, associado a tantas outras medidas espiritualistas, e assim perdido seu real foco, que jaz fora da curiosidade, fora da alegação de poderes, ou de domínio do circulo de vida que nos cerca, o espiritismo é a chave da revelação final que traz a cada um de nós a certeza do por que estamos aqui, responde as perguntas mais aclamadas e nos mostra em pratica o que é a real caridade esperada pelo nosso mestre, pois caridade é mais que a esmola ao faminto, é mais que o agasalho ao desabrigado, caridade esta na semeadura de sua inteligência, a caridade reside em esclarecer ao sofredor que ele achara a saída de seus problemas quando verificar sua causa, pois é dito que não há efeito sem causa, e todos nós somos simples vitimas de nossas próprias ignorâncias do passado. e com estudo serio e doutrinado, encontramos um meio de reparar as graves faltas, nos apaziguar mediante ao que parecem injustiças, e trazer a todos aqueles que necessitam um conforto na palavra amiga sincera e bem esclarecida.
Por isso temos aqui o inicio de um estudo coletivo, para trazer de volta a aqueles que perderam-se no turbilhão das emoções terrenas, um guia para todos nós nos encontrarmos mediante a grande espiritualidade superior, e instruirmos segundo o Espírito de verdade nos deixou confiado. Aqui juntos traremos a tona o estudo da doutrina espírita, buscando conhecer a fundo as principais obras, e fazer delas nosso guia maior, aprendendo, e sempre lembrando em nos mudar e utilizar cada ensinamento, cada exemplo de vida, sofrimento e vitoria, para nos melhorarmos, e encontrar a paz necessária para enfrentar as provas e tribulações, pois quando estiverem 2 ou mais reunidos em seu nome, lá estará o mestre junto a todos.
Amigos espíritas, instrução é o marco da mudança, sozinha é uma folha inútil, mas corroborada com a fé, a caridade, a humildade e a vontade maior de crescer, torna-se a maior conquista que qualquer um de nós encarnados levará desta Terra.
Que Jesus guie nossas metas e que juntos possamos crescer e trabalhar na seara do bem.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

O Que é o Espiritismo: Capitulo 1 Segundo Dialogo "Fenômenos Espiritas Simulados"

1- Como começou a desconfiança de simulações dos fenômenos mediúnicos?

Isto é privilégio de todas as coisas que apresentam a possibilidade de engendrar falsificações.
Acreditaram alguns prestidigitadores que o nome de espiritismo, por causa da sua popularidade e das controvérsias de que era objeto, podia servir a explorações, e para atrair a multidão simularam, mais ou menos grosseiramente, alguns fenômenos de mediunidade, como já tinham simulado a clarividência sonambúlica; e todos os gaiatos os aplaudiram, bradando: Eis aí o que é o Espiritismo!
Quando se mostrou em cena a engenhosa aparição dos espectros, não se proclamou que naquilo recebia o Espiritismo um golpe mortal?
Antes de pronunciar tão positiva sentença, deve-se refletir que as asserções de um escamoteador não são palavras de um evangelho, e certificar se há identidade real entre a imitação e a coisa imitada. Ninguém compra um brilhante sem primeiro estar convencido de não ser uma pedra d'água. Um estudo, mesmo pouco acurado, tê-los-ia certificado de serem completamente outras as condições em que se dão os fenômenos espíritas; eles, além disso, ficariam sabendo que os espíritas não se ocupam de fazer aparecer espectros nem de ler a buena-dicha.
"O Que é o Espiritismo, Fenômenos espíritas simulados."

A situação atual do problema mediúnico, nesta fase de acelerada transição da vida terrena, exige novos estudos e atualizadas reflexões sobre a Mediunidade. As descobertas científicas do nosso tempo, especialmente na Física, na Psicologia e na Biologia, confirmaram decisivamente a teoria espírita da Mediunidade, a ponto de interessarem os próprios cientistas soviéticos pela obra do racionalista francês Allan Kardec, segundo as informações procedentes da URSS. As teorias parapsicológicas, confirmadas pelas mais rigorosas experiências de laboratório, pareciam inicialmente contraditar os conceitos espíritas, firmados em meados do século passado e por isso mesmo suspeitos de insuficiência. Todos os fenômenos mediúnicos reduziam-se ao plano mental, a ponto de substituir-se as palavras alma e Espírito pela palavra mente. Instituía-se um mentalismo psicofisiológico que ameaçava todas as concepções espiritualistas do humano.
Durou pouco essa ameaça. Após dez anos de pesquisas repetitivas sobre os fenômenos mais simples, como clarividência e telepatia, outros fenômenos, mais complexos e profundos, impuseram-se à atenção dos cautelosos pesquisadores, que começaram a levantar, sem querer, as pontas do Véu de Ísis. Num instante a invasão das áreas universitárias da América e da Europa, com repercussões imediatas nos grandes centros culturais da Ásia, pelos fenômenos de aparições, vidência, manifestações tiptológicas e de levitação de objetos sem contato, bem como os de precognição e retrocognição, levaram o Prof. Joseph Banks Rhine, da Universidade de Duke (EUA) a proclamar com dados experimentais de inegável significação, que o pensamento não é físico, o mesmo se aplicando à mente. Rhine se expunha ao temporal de críticas e ironias, expondo a Parapsicologia à excomunhão cultural. Vassiliev, da Universidade de Leningrado, propôs-se a provar o contrário, através de uma série de experiências, mas não o conseguiu. Desencadeou-se então, no mundo, o que a Encyclopaedia Britannica chamou de psychic-boom, uma explosão psíquica mundial. Os fenômenos mediúnicos conseguiram, afinal, a cidadania científica que as Academias lhe haviam negado. Parodiando uma expressão de Kardec sobre o hipnotismo, repudiado durante anos pela Academia Francesa, podemos dizer que a Mediunidade, não podendo entrar nas Academias pela porta da frente, entrou pela porta da cozinha, ou seja, dos laboratórios.
O reconhecimento científico da realidade dos fenômenos mediúnicos afetou beneficamente o Espiritismo, mas trouxe-lhe também algumas desvantagens. Muitos espíritas se deslumbraram com o fato e julgaram-se capazes, embora sem o necessário preparo, de criticar e reformar Kardec, o vencedor, como se fosse um derrotado. Com isso pulularam as inovações teóricas e práticas no Espiritismo, aturdindo particularmente os iniciantes, que afluíram em massa às instituições doutrinárias.
O que daí por diante se publicou, em jornais, revistas, folhetos e livros, a pretexto de ensinar Espiritismo e Mediunidade, foi uma avalanche de pretensões vaidosas e absurdos desmedidos.
Por toda parte surgiram os profetas da nova era científico-espírita, além do charlatanismo
interesseiro e ganancioso dos professores contrários à doutrina, que se julgavam mais capazes de refutar Rhine do que o veterano Vassiliev. Hoje ainda perduram as confusões a respeito. Afirma-se tudo a respeito da Mediunidade: é uma manifestação dos poderes cerebrais do humano, esse computador natural que pode programar o mundo; é uma eclosão dos resíduos animais de percepção sem controle de órgãos sensoriais específicos; é uma energia ainda desconhecida do córtex cerebral, mas evidentemente física (Vassiliev); é um despertar de novas energias psicobiológicas do humano, no limiar da era cósmica; é o produto do inconsciente excitado; é uma forma ainda não estudada da sugestão hipnótica. Ninguém se lembra da explicação simples e clara de Kardec: é uma faculdade humana.
"como eu entendo a mediunidade, Jose Herculano Pires, Introdução"

2- Quais os cuidados que Kardec recomendava para não cair-se nas mãos de enganadores?

Sabe-se os Espíritos, por causa da diferença que existe em suas capacidades, estão longe de estar individualmente de posse de toda a verdade; que não é dado a todos penetrar certos mistérios; que seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais que os homens, e mesmo menos que certos homens; que há entre eles, como entre os últimos, os presunçosos e os pseudo-sábios que crêem saber aquilo que não sabem; sistemáticos que tomam as suas idéias pela verdade... árbitros da verdade. Em semelhante caso, que fazem os homens que não têm, neles mesmos, uma confiança absoluta? Apegam-se à opinião de maior número, e a opinião da maioria é seu guia. Assim deve-se ser com respeito aos ensinos dos Espíritos que disso nos forneceram, eles mesmos, os meios.
A concordância dos ensinamentos dos Espíritos é então o melhor controle; mas é preciso que ela tenha lugar em certas condições. A menos certa de todas, é quando um médium interroga, ele mesmo, a vários Espíritos sobre um ponto duvidoso; é bem evidente, que se ele está sob o império de uma obsessão, e se estiver influenciado por um Espírito enganador, esse Espírito pode lhe dizer a mesma coisa sob nomes diferentes. Não há, não mais, uma garantia suficiente na conformidade que podemos obter pelos médiuns de um só centro, porque eles podem sofrer a mesma influência. A única garantia séria está na concordância que existe entre as revelações feitas espontaneamente pela mediação de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos países. Concebe-se que não se trata aqui das comunicações relativas a interesses secundários, mas daquelas que se relacionam aos princípios mesmos da Doutrina...
O primeiro controle é, sem contradita, aquele da razão, à qual é necessário submeter, sem exceção, tudo aquilo que venha dos Espíritos; toda teoria em contradição manifesta com o bom senso, com uma lógica rigorosa, e com os dados positivos que se possui, mesmo que seja assinada por nome respeitável, deve ser rejeitada. Mas esse controle é incompleto em muitos casos, devido à insuficiência de luzes de certas pessoas e da tendência, de muitos, de manter seu próprio julgamento como árbitro único da verdade. A única garantia séria está na concordância que existe entre as revelações feitas espontaneamente pela mediação de um grande número de médiuns estranhos, uns aos outros, e em diversos países.
Tal é a base sobre a qual nós nos apoiamos quando formulamos um princípio da Doutrina; não é porque esteja de acordo com nossas ideias que o damos como verdadeiro; não nos colocamos de nenhuma maneira como árbitros superiores da verdade, e não dizemos a ninguém: Crê em tal coisa, porque o dizemos. Aos nossos olhos, nossa opinião não é mais que uma opinião pessoal, que pode ser certa ou falsa, porque não somos mais infalíveis que ninguém. Não é mais porque um princípio nos é ensinado que é para nós a verdade, mas porque recebeu a sanção da concordância.”

3- Como os críticos do espiritismo buscavam e ate hoje buscam meios de desmentir a doutrina?

Os críticos tem um pensamento único de igualar todas as manifestações sejam serias ou simplesmente levianas, como se fossem uma só coisa dentro do espiritismo, atacam a doutrina julgando ela ser apenas uma manifestação dos homens, mas se esquecem de realmente estudar a fundo o que vem de cunho espiritual, muitos dizem ler sobre o espiritismo, ou mesmo ao assistir uma sessão de cartomancia, e acreditam que vendo esses meios são capazes de ali resumir tudo que acontece em integra nas manifestações serias e estudos reais, atacam com ideias construídas sobre bases fracas, que qualquer um que estude um pouco mais, consegue ver o tamanho do erro que se utilizam os críticos para atacar a tudo, o homem simplesmente acredita naquilo que quer, e quando se põe com ideias já formadas sem se dar uma abertura para analisar melhor os fatos, mostram que não estão realmente preparados para começar a entender a doutrina que nos foi passada pelos guias espirituais.

“O erro de todos está em crerem que a fonte do Espiritismo é uma só, e que se baseia na opinião de um só homem; daí a ideia de que poderão arruiná-lo, refutando essa opinião; eles procuram na Terra uma coisa que só achariam no Espaço; essa fonte do Espiritismo não se acha num ponto, mas em toda a parte, porque não há lugar em que os Espíritos se não possam manifestar, em todos os países, nos palácios e nas choupanas”. (O que é o Espiritismo).

4- Diga exemplos de perseguições que ao invés de desmoralizar o espiritismo, ao contrario, o ajudava a divulgar, e diga o porque?

O espiritismo sempre foi atacado de diversas formas, eram livros escritos com dizeres de quem afirma ter total conhecimento sobre os assuntos, porem nunca sequer assistiram realmente a uma reunião, temos os que visitando obras artísticas, com sabidamente atores ou enganadores que se utilizam do espiritismo pra se divulgar, outros que hoje em dia usam de palavras de estudos de outros, ou ate mesmo de falsificações de grandes nomes do espiritismo, para mostrar que seus pontos de vista estão corretos e que em tudo o espiritismo é uma mentira.
Temos visto com o crescimento da internet, pessoas que buscam usar a própria doutrina espírita, para desmentir a doutrina espírita, o que a primeira leitura achamos ver uma pessoa com conhecimento do que fala, ao aprofundar a nossa visão, vemos que o mesmo critico, se perde desesperadamente tentando refutar cada argumento com algo que não tem tanto a ver, ainda mais quando sabemos que cada caso é diferente, tendo sempre que utilizarmos de pesquisa e estudo serio para uma análise dos fatos, e ainda mais quando afirmam seus pontos de vista, fazendo julgamentos, dessa maneira já provam que pouco puderam aprender com esta doutrina, que nos ensina a não julgar.

Esses ataques a doutrina, vem trazendo muitas vezes mais partidários do que inimigos, pois
podemos ver que quando algo é tão perseguido, acaba causando curiosidade, e quando a curiosidade quebra a inércia e faz a pessoa buscar conhecimento, acaba fazendo com que os mesmos críticos sejam divulgadores daquilo que queriam combater, e muitos estudiosos sérios, tendo conhecimento maior sobre a doutrina, veem seu aspecto serio e acabam por também aderir a mesma, engrossando assim o numero daqueles que vem se unindo ao espiritismo, e muitos dos próprios críticos, tendo que aprender algo sobre aquilo que criticavam, acabam enxergando erros e assumindo que muitas coisas não eram da maneira com que antes visualizavam.

" A nossa atenção é sempre chamada sobre aquilo que vemos atacado; há muita gente que quer ver os prós e os contras, e a crítica faz aparecer a verdade, mesmo aos olhos daqueles que não a procuravam aí; é assim que muitas vezes, sem querer, se faz reclamo do que se quer combater.
A questão dos Espíritos é, por outro lado, tão palpitante de interesse, choca a tal ponto a curiosidade, que basta assinalá-la à atenção, para que nasça o desejo de aprofundá-la."

(O que é o Espiritismo, primeiro dialogo, o critico, 6° Pergunta )

O Que é o Espiritismo: Capitulo 1 Segundo Dialogo "Dissidências"

1- Quais eram as principais dissidências no principio da doutrina espírita?

No inicio da doutrina via-se a cena completamente cercada de manifestações de varias partes do mundo, muitas delas sendo copiadas por aproveitadores que visavam se engrandecer com o movimento novo que se apresentava, e tantas outras seitas que se utilizavam do espiritualismo para seus fins e que com o crescimento dos críticos e céticos, foram querendo misturar a nova doutrina a estas seitas que já existiam anteriormente, tendo em vista esses acontecimentos, que ocorriam em grande parte do mundo, os críticos acharam ai maneira de igualar a todo  e qualquer divulgador da boa nova como simples charlatão, mas com o nascimento dos livros e dos estudos sérios da doutrina, viu-se que nada tinham a creditar negativamente a doutrina que nascia e que ate hoje cresce em passos largos por dentre o silencia da marcha do bem, veja, que na época em vários locais do mundo nasciam estudiosos da doutrina e como cada professor tem sua maneira de ensinar e de aprender, assim foi com o inicio da doutrina, que mesmo que se colocassem em certos pontos uma visão diferente, estudando a fundo, a base se encontrava em cada uma delas, esta base formada, podia-se aparar as arestas erradas e simplesmente com o tempo foi se agregando somente a verdade e a base real e irrefutável da doutrina, e aqueles que faziam de seus estudos, mero jogo para iludir, foram aos poucos caindo no esquecimento e mostrando aos críticos, que suas bases para desvirtuar a doutrina, estava montada sobre a areia.


2- Como aponta Kardec, os fracos argumentos contra as divergências no inicio da doutrina?


Uma questão que desde logo se apresenta é a dos cismas que poderão nascer no seio da Doutrina. Estará preservado deles o Espiritismo?
          Não, certamente, porque terá, sobretudo no começo, de lutar contra as ideias pessoais, sempre absolutas, tenazes, refratárias a se amalgamarem com as ideias dos demais; e contra a ambição dos que, a despeito de tudo, se empenham por ligar seus nomes a uma inovação qualquer; dos que criam novidades só para poderem dizer que não pensam ou agem como os outros, pois lhes sofre o amor-próprio por ocuparem uma posição secundária.
          Se, porém, o Espiritismo não pode escapar às fraquezas humanas, com as quais se tem de contar sempre, pode, todavia neutralizar lhes as consequências e isto é o essencial.
          É de notar-se que os vários sistemas divergentes, surgidos na origem do Espiritismo, sobre a maneira de explicarem-se os fatos, foram desaparecendo à medida que a Doutrina se completou por meio da observação e de uma teoria racional. Hoje, raros partidários ainda contam esses primitivos sistemas. É este um fato notório, do qual se pode concluir que as últimas divergências se apagarão com a elucidação integral de todas as partes da Doutrina. Mas, haverá sempre os dissidentes, de ânimo prevenido e interessados, por um motivo ou outro, a constituir bando à parte. Contra a pretensão desses é que cumpre se premunam os demais.
          Para assegurar-se, no futuro, a unidade, uma condição se faz indispensável: que todas as partes do conjunto da Doutrina sejam determinadas com precisão e clareza, sem que coisa alguma fique imprecisa. Para isso, procedemos de maneira que os nossos escritos não se prestem a interpretações contraditórias e cuidaremos de que assim aconteça sempre. Quando for dito peremptoriamente e sem ambiguidade que dois e dois são quatro, ninguém poderá pretender que se quis dizer que dois e dois fazem cinco.
          Conseguintemente, seitas poderão formar-se ao lado da Doutrina, seitas que não lhe adotem os princípios ou todos os princípios, porém não dentro da Doutrina, por efeito de interpretação dos textos, como tantas se formaram sobre o sentido das próprias palavras do Evangelho. É este um primeiro ponto de capital importância.
          O segundo ponto está em não se sair do âmbito das ideias práticas. Se é certo que a utopia da véspera se torna muitas vezes a verdade do dia seguinte, deixemos que o dia seguinte realize a utopia da véspera, porém não atravanquemos a Doutrina de princípios que possam ser considerados quiméricos e fazer que a repilam os homens positivos.
          O terceiro ponto, enfim, é inerente ao caráter essencialmente progressivo da Doutrina. Pelo fato de ela não se embalar com sonhos irrealizáveis, não se segue que se imobilize no presente. Apoiada tão-só nas leis da Natureza, não pode variar mais do que estas leis; mas, se uma nova lei for descoberta, tem ela que se pôr de acordo com essa lei. Não lhe cabe fechar a porta a nenhum progresso, sob pena de se suicidar. Assimilando todas as ideias reconhecidamente justas, de qualquer ordem que sejam, físicas ou metafísicas, ela jamais será ultrapassada, constituindo isso uma das principais garantias da sua perpetuidade.

terça-feira, 1 de julho de 2014

O Que é o Espiritismo: Capitulo 1 Segundo Dialogo "Espiritismo e Espiritualismo"

1- Qual a diferença entre Espírita e Espiritualista?

Espiritualismo: Doutrina filosófica que admite a existência de Deus e da Alma. Contrapõe-se ao Materialismo, que só admite a matéria.

Espiritismo: Doutrina filosófica também espiritualista, mas que se diferencia das outras correntes filosóficas por ter características bem definidas.

É muito comum afirmar-se que ser espiritualista é a mesma coisa que ser espírita ou espiritista. Aqueles que assim pensam dão prova de que desconhecem os fundamentos da Doutrina Espírita. Há outros que, ao serem interrogados sobre a religião a que pertencem, embora sejam espíritas militantes, vacilam e dão esta resposta: Sou espiritualista.
De duas uma: ou respondem assim porque desconhecem a diferença que há entre a Doutrina Espírita e as doutrinas espiritualistas, ou porque temem confessar a qualidade de espírita convicto. Acham que, afirmando serem espiritualistas, eximem-se de quaisquer responsabilidades, no tocante à religião, diante da sociedade a que pertencem. É a isto que se chama "covardia moral".
É preciso que se saiba que "todo espírita é necessariamente espiritualista, mas nem todos os espiritualistas são espíritas".
Embora seja a Doutrina Espírita uma doutrina espiritualista, por excelência, é necessário fazer-se distinção das demais correntes espiritualistas.
Para exemplo, tomemos a Umbanda, seita muito divulgada no Brasil.
Será a Umbanda doutrina espiritualista?
Sim, é doutrina espiritualista, porquanto estabelece a comunicação entre os vivos e os chamados mortos, admitindo, consequentemente, a sobrevivência do Espírito após a morte do corpo físico; admite sua evolução através das vidas sucessivas e crê no resgate, pela dor, das faltas cometidas em existências anteriores.
Por essas características, não há dúvida alguma tratar-se a Umbanda de uma doutrina essencialmente espiritualista. Mas, por outro lado, será ela Doutrina Espírita ou Espiritismo?
Não. A Umbanda não pode ser considerada Doutrina Espírita porque admite cerimônias litúrgicas, entre elas a do casamento e a do batizado; é litólatra, porque adota nos seus trabalhos imagens dos chamados "santos" (a palavra litólatra vem de litolatria, que é a adoração das pedras), e é também fitólatra, porque faz uso de ervas para defumações, além de outros ritos (a palavra fitólatra vem do grego phyton "planta"; o segundo elemento, latra, provém do verbo grego latrein "adorar"). Mas o Espiritismo não tem ritos de espécie alguma.
Como se vê, por estas observações ficou demonstrada a diferença existente entre a Doutrina Espírita e uma das doutrinas espiritualistas, que é a Umbanda, doutrina esta que tem, face aos seus dogmas e ritos, bastante afinidade com o Catolicismo, também considerado espiritualista, porque admite a existência de Deus e de entidades espirituais que sobrevivem após a desencarnação.
fonte: ( http://www.espirito.org.br/portal/publicacoes/abc/cap01.html )

2- Como surgiu os termos espírita e espiritismo?

Essas palavras são inglesas e eram comumente empregadas nos Estados Unidos, desde que começaram a surgir as manifestações dos espíritos, no começo por algum tempo, também se serviram delas na França; logo, porem, que apareceram os termos espíritas, espiritismo, compreendeu-se a sua utilidade e foi imediatamente aceito pelo publico.
O termo Espiritismo foi cunhado por Kardec em 1857 para definir especificamente o corpo de ideias por ele reunidas e codificadas em "O Livro dos Espíritos". Na publicação do livro "O Que é o Espiritismo", o codificador a define como uma doutrina que trata da "natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal e as consequências morais que dela emanam", e fundamenta-se nas manifestações e nos ensinamentos dos espíritos. Também é compreendida como uma doutrina de cunho científico-filosófico-religioso voltada para o aperfeiçoamento moral do homem, que acredita na possibilidade de comunicação com os espíritos através de médiuns.

3- Qual a necessidade destes novos termos para a Doutrina Espírita?

Diz Kardec que:
“Para designar coisas novas são necessárias palavras novas; assim exige a clareza de uma língua, para evitar a confusão que ocorre quando uma palavra tem múltiplo sentido. As palavras espiritual, espiritualista, espiritualismo têm um significado bem definido, e acrescentar-lhes uma nova significação para aplicá-las à Doutrina dos Espíritos seria multiplicar os casos já tão numerosos de palavras com duplo sentido. De fato, o espiritualismo é o oposto do materialismo, e qualquer um que acredite ter em si algo além da matéria é espiritualista, embora isso não queira dizer que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo material. Em vez das palavras espiritual, espiritualismo, utilizamos, para designar a crença nos Espíritos, as palavras espírita e Espiritismo, que lembram a origem e têm em si a raiz e que, por isso mesmo, têm a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, reservando à palavra espiritualismo sua significação própria. Diremos que a Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípio a relação do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo espiritual. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas ou, se quiserem, os espiritistas.”
(Abertura da Introdução de "O Livro dos Espíritos")

Para as novas coisas são necessários termos novos, quando se quer evitar equívocos. Se eu tivesse dado à minha Revista a qualificação de espiritualista, não lhe teria especificado o objeto, porque, sem desmentir-lhe o título, bem poderia nada dizer nela sobre os Espíritos, e até combatê-los. Já há algum tempo, li num jornal, a propósito de uma obra filosófica, um artigo em que se dizia tê-la o autor escrito do ponto de vista espiritualista; ora, os partidários dos Espíritos ficariam singularmente desapontados se, confiantes nessa indicação, acreditassem encontrar alguma concordância entre o que ela ensina e as ideias por eles admitidas.
Se adotei os termos espírita, espiritismo, é porque eles exprimem, sem equívoco, as ideias relativas aos Espíritos.
(Livro "O que é o Espiritismo" parte Espiritismo e Espiritualismo)

O Que é o Espiritismo: Capitulo 1 - Segundo Dialogo: O Céptico.


1- Segundo Kardec, quais os ramos da ciência que se encontra o espiritismo? e exemplifique o por que

O espiritismo prende-se em todos os ramos da filosofia, da metafísica, da psicologia e da moral; é um campo imenso, que não pode ser percorrido em algumas horas.

Metafísica:
Conceito:
Ciência dos entes espirituais ou incorpóreos, das coisas abstratas, intelectuais. Doutrina da essência das coisas. Conhecimento das coisas primárias e dos primeiros princípios. Ciência primeira, por ter como objeto, o objeto de todas as outras ciências, e como princípio, um princípio que condiciona a validade de todos os outros.

Além da Matéria: A metafísica, no sentido de "tudo o que está além da matéria", coincide com o próprio desenrolar da filosofia. Observe que a filosofia surgiu como uma tentativa de explicar o mundo e sua origem a partir da razão e não por intermédio do oráculo, do mito. No mito a verdade é revelada pelos deuses; na metafísica ela deve ser buscada, achada com o recurso da razão, com o esforço do ser humano.

A Metafísica Espírita: Perscrutando O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, podemos construir o edifício metafísico do Espiritismo, porque ali vamos encontrar explicações sobre Deus, Espírito e Matéria, entre outros.

Teoria Espírita do Conhecimento: A maneira pela qual se adquire o conhecimento é de vital importância não só para a Filosofia como para todos nós. De acordo com a tradição filosófica, há duas formas de se apreender o conhecimento: 1ª) a platônica ou socrático-platônica, que envolve a questão da reminiscência das idéias (conhecemos pelo Espírito); 2ª) a sofística ou empírica, que se refere apenas aos nossos sentidos (conhecemos pelos sentidos). Daí, a pergunta: conhecemos pelo corpo ou pelo Espírito?
Para o Espiritismo, o homem é essencialmente um Espírito. O Espírito é a substância do homem e o corpo o seu acidente. Nesse caso, a percepção é uma faculdade do Espírito e não do corpo. É uma faculdade geral do Espírito que abrange todo o seu ser.

Filosofia:
O Espiritismo é Filosofia: O Espiritismo é uma filosofia porque dá uma coerente e exata interpretação da vida. Toda filosofia gera uma ética. Sua força está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom senso.
Como filosofia, o Espiritismo compreende todas as conseqüências morais que dimanam das relações que se estabelecem entre nós e os espíritos.
Toda doutrina que dá uma interpretação da vida, uma concepção própria do mundo, é uma filosofia. Neste aspecto, enquadra-se o estudo dos problemas da origem e destinação dos homens, bem como a existência de uma suprema inteligência, causa primeira de todas as coisas.
O Espiritismo é uma filosofia porque a partir dos fenômenos espirituais e dos fatos, dá uma interpretação da vida, explicando o porquê das dores, dos sofrimentos e das desigualdades entre as criaturas, e elucida as questões fundamentais da existência. Para todo efeito existe uma causa e esta causa pode estar nesta ou em vidas anteriores.

Psicologia:
A Psicologia Espírita não é apenas uma mera teoria adicional no campo da Psicologia, bem como não é mais um estilo terapêutico, mas uma expressão que se usa para uma vasta gama de saberes, idéias e concepções simbolizadas por um suposto espaço conectivo entre a Psicologia e o Espiritismo. Melhor dizendo, ela investiga o que há de comum e de distinto entre esta disciplina e a doutrina espírita.
Este campo da psicologia procura acompanhar o desenvolvimento da Ciência, absorvendo subsídios de todas as teorias psicológicas conquistadas ao longo do tempo, esforçando-se para empreender uma visão transdisciplinar, avançando um pouco mais, justamente por seu caráter holístico, que percebe o Homem integralmente. Ela tenta provar, através do método teórico-experimental, a presença de uma realidade espiritual no cerne da vida, em tudo que existe, além da existência da Divindade e de uma alma imortal, que traz em si uma bagagem composta das mais distintas vivências, adquiridas em vidas passadas. Assim é permitido a ela compreender a dor humana e suas causas, a ilusória disparidade das aflições, quem somos, entre outras questões existenciais profundas. E também perceber que todos percorrem uma jornada de aprendizado e desenvolvimento espiritual que atravessa o tempo e o espaço.

“O Ser real é constituído de corpo, mente e espírito. Dessa forma, uma abordagem psicológica para ser verdadeiramente eficaz deve ter uma visão holística do ser, tratando de seu corpo (físico e perispirítico), de sua mente (consciente, inconsciente e subconsciente) e de seu espírito imortal que traz consigo uma bagagem de experiências anteriores à presente existência e está caminhando para a perfeição Divina.” (Joanna de Ângelis)

Moral

É a regra do bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando faz tudo pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus
(KARDEC, A. O livro dos espíritos. Questão 629)

Conjunto de regras que constituem os bons costumes, a Moral consubstancia os princípios salutares de comportamento de que resultam o respeito ao próximo e a si mesmo.
Nobilitante comportamento com que [o homem] se liberta das constrições primitivas e se põe em sintonia com as vibrações sutis da Espiritualidade, para onde ruma na condição de Espírito imortal que é.
(Divaldo P. Franco, Estudos Espíritas. Pelo espírito Joanna de Ângelis. Cap.22)

"O bem é tudo que é conforme à lei de Deus, e o mal é tudo o que dela se afasta. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus, fazer o mal é infringir essa lei.”
(KARDEC, A. O livro dos espíritos.Questão 630.)


"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações"
(Allan Kardec)

2- Qual o conselho de Kardec para se adquirir melhor conhecimento da doutrina espírita?

A quem deseja instruir-se, direi: “Não se pode fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um de Física ou de Química, atento que nunca se é senhor de produzir os fenômenos espíritas à vontade, e que as inteligências desses agentes fazem, muitas vezes, frustrarem-se todas as nossas previsões. Aqueles que acidentalmente poderíeis ver, não apresentando nexo algum, nem ligação necessária, seriam pouco inteligíveis para vós.
“Instruí-vos primeiramente pela teoria, lede e meditai as obras que tratam dessa ciência; nelas aprendereis os princípios, encontrareis a descrição de todos os fenômenos, compreendereis a possibilidade deles pela explicação que elas vos darão, e, pela narrativa de grande número de fatos espontâneos de que pudestes ser testemunha sem os compreender, mas que vos voltarão à memória, vós vos fortificareis contra todas as dificuldades que possam surgir e formareis, desse modo, uma primeira convicção moral.
“Então, quando se vos apresentar a ocasião de observar ou operar pessoalmente, compreendereis, qualquer que seja a ordem em que os fatos se mostrem, porque nada vereis de estranho.”
Eis, meu caro senhor, o que aconselho a todos que dizem querer instruir-se, e, pela resposta que dão, é fácil conhecer se neles há alguma coisa mais que curiosidade!
Compreendeis que me seria materialmente impossível repetir de viva voz e a cada pessoa, em particular, tudo quanto tenho escrito sobre essa matéria, para uso geral.
Em prévia leitura cada qual encontrará, além disso, uma resposta à maior parte das questões que lhe venham à mente; essa leitura tem a dupla vantagem de evitar repetições inúteis e de provar um desejo sincero de instruir-se.
(O que é o Espiritismo pag. 64,65).